SHEMA YSRAEL, YAOHUSHUA ELOHENU UL, YAOHUH  ECHAD! Dt 6:4.

Escuta Yaoshor'u! Yaohushua é o nosso Criador; o Eterno é um Só!

CRISE DE CONSCIÊNCIA - Raymond Franz

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[Ex-membro do Corpo Governante das "Testemunhas de Jeová"]

- apresentação de apenas 03 capítulos inerentes às doutrinas antibíblicas -

(SUFICIENTE PARA O ESTUDANTE DAS ESCRITURAS PERCEBER ONDE ESTA DEPOSITANDO SUA VIDA ETERNA)

 

Editorial:

O autor, tendo sido um membro de terceira geração das "Testemunhas de Jeová", viveu entre elas os últimos sessenta anos de sua vida, servindo em diversos países e em todos os níveis da estrutura organizacional. Destes sessenta anos, os últimos nove ele passou no conselho executivo central, o Corpo Governante. Aqueles anos o levaram à Crise de Consciência que tornou-se o TEMA deste livro. É uma narrativa ímpar. Proporciona ao leitor uma visão das sessões decisórias de um conselho religioso fechado, e do poderoso, e às vezes dramático, impacto que SUAS DECISÕES tem sobre as vidas das pessoas. Passando desde a doutrina [equivocada] do “não alimentar-se de sangue” até a escatologia envolvendo o ano de 1914, fadado ao erro e por diversas vezes manipulado ou alterado em seus valores por este Corpo Governante que, de forma alguma é a voz do ETERNO – Ez 13:7.

Edição by o Caminho

NOTA DE oCAMINHO: Nossa edição limitou-se apenas em relação ao Nome do Filho...

 

Cap 5: TRADIÇÃO E LEGALISMO

 

 "E assim, aproveitando-se de uma regra feita pelos homens, contrariam a ordem direta de UL... ensinam leis feitas pelos homens em vez de leis vindas de UL". Matt’yaohuh 15:6,9

[ESN - Escrituras Sagradas segundo o Nome - EUC (Edição Unitariana Corrigida by CYC)].
 

A MAIORIA das "Testemunhas de Jeová" imagina as sessões do Corpo Governante como reuniões de homens que passam grande parte do seu tempo em estudo profundo da Palavra de Deus. Fazem uma  imagem deles  como  pessoas  que  se  reúnem para  refletir humildemente sobre como podem ajudar seus irmãos a entender as Escrituras, para discutir maneiras construtivas e positivas de edificá-los na fé e no amor, qualidades que motivam as verdadeiras obras cristãs, fazendo tudo isto em reuniões nas quais se recorre sempre às Escrituras como a única autoridade válida, final e suprema.

Como já foi observado, os membros do Corpo Governante, melhor do que ninguém, sabiam que os artigos de A Sentinela descrevendo a relação entre a corporação e o Corpo Governante apresentavam um quadro que não se harmonizava com a realidade. Do mesmo modo, também, os membros do Corpo Governante sabem, melhor do que ninguém, que o quadro descrito no parágrafo anterior difere na mesma proporção da realidade.1

Examinando-se cuidadosamente os registros de uma reunião após outra, verifica-se que o aspecto mais destacado, mais constante e que consome mais tempo, é a discussão de questões que, em última análise, acabavam nesta pergunta: “É caso de desassociação?”

Eu compararia o Corpo Governante (e fiz tal comparação em minha mente por repetidas vezes) com um grupo de homens apoiados contra a parede com muitas pessoas arremessando bolas para eles pegarem e lançarem de volta. As bolas vêm com tamanha freqüência e em tal quantidade que há pouco tempo para qualquer outra coisa. Na verdade, parecia que cada regra feita e emitida produzia somente questões formuladas a partir de novos ângulos, sobrando pouco tempo para pensamento, estudo, discussão e ação verdadeiramente positivos e construtivos.

 

1  Uma vez que todas as reuniões do Corpo Governante são totalmente reservadas, só seus membros são testemunhas do que realmente nelas ocorre.

 

Ao longo dos anos, acompanhei muitas e muitas reuniões em que se discutiam questões que podiam afetar seriamente a vida das pessoas, sem que, no entanto, a Bíblia viesse às mãos ou mesmo aos lábios de praticamente nenhum dos participantes. Existiam motivos para isso; uma combinação de motivos.

Muitos membros do Corpo Governante admitiam que se achavam tão ocupados com vários assuntos que havia pouco tempo para estudo da Bíblia. Não há nenhum exagero em dizer que seus membros, em média não gastavam mais tempo, e às vezes menos, em tal estudo que muitas Testemunhas dentre os denominados “as fileiras”. Alguns dos que faziam parte da Comissão Editora (que incluía encarregados e diretores da corporação de Pensilvânia) eram notáveis com relação a isto, devido à tremenda quantidade de trabalho de redação com que se deparavam e por achar evidentemente que não poderiam ou não deveriam delegá-lo a qualquer outra pessoa para que tudo fosse revisado e apresentado, incluindo-se aqui as conclusões ou recomendações.

Nas poucas ocasiões em que se programava alguma discussão puramente bíblica era geralmente para discutir um artigo ou artigos para A Sentinela que alguém tinha preparado e sobre o qual havia alguma objeção. Nestes casos, regularmente acontecia que, apesar de avisado com um ou duas semanas de antecedência sobre o assunto, Milton Henschel, Grant Suiter ou algum outro membro desta comissão se sentia obrigado a dizer: “Tenho estado tão ocupado que só tive tempo para examiná-lo rapidamente.” Não havia nenhuma razão para se duvidar de que estivessem verdadeiramente ocupados. Essa era a questão que me vinha à mente: Como podiam eles votar então com boa consciência sobre a aprovação da matéria, quando não tinham conseguido meditar sobre ela, pesquisar as Escrituras para pô-la completamente à prova? Uma vez publicada, era vista como “a verdade” por milhões de pessoas. Que trabalho burocrático poderia equiparar-se a isto em importância?

Mas estes irmãos não estavam de maneira alguma sozinhos, já que as discussões em si mesmas demonstravam que a grande maioria do Corpo tinha feito pouco mais que ler a matéria escrita. O tema era muitas vezes desses que havia se originado e se desenvolvido na mente do escritor sem que o Corpo fosse consultado, mesmo representando este algum entendimento “novo” das Escrituras, e tendo muitas vezes o próprio escritor preparado então todos os seus argumentos e colocado a matéria na forma definitiva sem discutir as coisas e testar seu pensamento, nem sequer com alguma outra pessoa.2 O argumento era freqüentemente complicado, enrolado, do tipo que jamais poderia permitir, através de uma leitura superficial, análise suficiente que provasse sua validade e determinasse se era biblicamente sólido ou apenas um caso de ‘lógica acrobática’, um malabarismo habilidoso com textos articulados para dizer algo além do que realmente diziam. Os que só tinham lido a matéria geralmente votavam a favor; os que tinham feito estudo e pesquisa extras eram os mais prováveis de levantar questões sérias.

Desta forma, depois da discussão de certo artigo que apresentava o entendimento de que a “festividade do ajuntamento da colheita” (celebrado, segundo a Bíblia, no final da estação da colheita) representava uma particularidade da história das Testemunhas no início de sua colheita espiritual, quantidade suficiente de membros votou a favor de que fosse aceito.3 Lyman Swingle, que servia nessa época como coordenador da Comissão de Redação, disse então: “Tudo bem, se é isso o que querem fazer, vou enviá-lo à gráfica para ser impresso. Mas isso não significa que eu pense assim. É só mais uma pedra acumulada sobre o enorme monumento de testemunho de que A Sentinela não é infalível.”

Uma segunda razão para a falta de verdadeira discussão bíblica, creio eu, vem obviamente da precedente. E essa é que a maioria do Corpo não era realmente tão versada nas Escrituras, pois sua “ocupação” não era nenhuma novidade. No meu próprio caso, eu tinha estado até 1965 em tal “redemoinho” de atividades que me sobrava pouco tempo para um estudo realmente sério. Mas penso que o problema é mais profundo do que isso. Acho que predominava a sensação de que tal estudo e pesquisa não eram tão essenciais, que as normas e os ensinos da organização, desenvolvidos durante muitas décadas — eram em si mesmos um guia seguro, de modo que, não importava que moção o Corpo propusesse, desde que se harmonizasse com tais tradições, devia estar totalmente certa.

 

2   Mesmo durante a existência de Nathan Knorr, este era o procedimento normal seguido pelo principal escritor da Sociedade, Fred Franz. Somente quando apresentadas de forma completa é que qualquer outra pessoa — e geralmente só o presidente — tem oportunidade de considerar e discutir as idéias ou interpretações desenvolvidas.

3 Veja A Sentinela de 15 de agosto de 1980, páginas 824.

 

Os fatos apontam para esta conclusão. Às vezes uma longa discussão sobre alguma questão de “desassociação” era repentinamente resolvida porque um membro tinha descoberto uma declaração relacionada com o caso no livro Organização, da Sociedade, ou, mais provavelmente, no livro chamado “Ajuda Para Responder Correspondência do Escritório de Filial”, um compêndio de normas ordenadas alfabeticamente sobre uma ampla variedade de assuntos, emprego, casamento, divórcio, posição política, problemas militares, sindicatos de trabalhadores, sangue e dezenas de outros. Quando se encontrava tal declaração, apesar de não se citar qualquer texto bíblico em apoio do ponto específico referente à norma, esta parecia pôr fim à questão para a maioria dos membros do Corpo e eles geralmente se dispunham a votar sem hesitação a favor de qualquer moção que se harmonizasse com a norma impressa. Vi isto acontecer em diversas ocasiões e nunca deixei de ficar impressionado pela maneira como esse tipo de declaração normativa impressa podia causar uma transformação tão repentina no andamento e na decisão de uma discussão.

Uma razão final para a Bíblia ter pouca influência em tal discussão é que, em caso após caso, a questão envolvia alguma coisa sobre a qual as Escrituras eram, em si mesmas omissas.

Para citar exemplos específicos, a discussão poderia ser para decidir se a injeção de soro deveria ser vista do mesmo modo que as transfusões de sangue, ou se se deveria considerar as plaquetas sangüíneas tão objetáveis de serem aceitas quanto as células vermelhas em embalagem. Ou a discussão poderia concentrar-se sobre se a norma de que uma esposa que cometeu um ato de infidelidade está obrigada a confessá-lo a seu marido (mesmo que ele fosse conhecido como tendo natureza extremamente violenta) ou, do contrário, a sua alegação de arrependimento não seria considerada válida, ficando ela passível de desassociação. Que textos bíblicos tratam de tais questões?

Considere este caso que surgiu para ser discutido e decidido pelo Corpo Governante. Uma das "Testemunhas de Jeová", ao dirigir um caminhão da Coca-Cola, tinha como sua rota uma extensa base militar na qual fazia muitas entregas. A pergunta: Podia ele fazer isto e permanecer como membro numa condição aprovada ou é esta uma transgressão sujeita à desassociação? (O fator crítico aqui é que estavam envolvidos propriedade e pessoal militares.)

Novamente, que textos bíblicos tratam de tais problemas — de modo que se possa ver clara e razoavelmente, de modo a evitar a necessidade de raciocínios e interpretações relacionados? Não se apresentou nenhum; ainda assim, a maioria do Corpo decidiu que este trabalho não era aceitável e que o homem teria de arranjar outra rota para continuar numa condição aprovada. Veio à tona um caso similar envolvendo um músico que era Testemunha e tocava numa “banda” de um clube de oficiais numa base militar. Este, também, foi decidido como inaceitável pela maioria do Corpo. Sendo as Escrituras omissas, o raciocínio humano provia a solução.

Geralmente, em discussões deste tipo, se os que eram a favor da condenação do ato ou conduta faziam qualquer apelo a um texto bíblico, esse apelo ocorria por meio de declarações muito amplas tais como “Não fazem parte do mundo”, encontrada em João, capítulo 15, versículo 19. Se um membro do Corpo Governante sentisse pessoalmente escrúpulos contra a ação ou conduta em discussão e não conseguisse pensar em nenhum outro argumento contra ela, ele muitas vezes passava a recorrer a este texto, ampliando-o e aplicando-o de modo a adaptá-lo a quaisquer que fossem as circunstâncias. A necessidade de deixar que o restante das Escrituras defina o que tal declaração de sentido amplo significa e como ela se aplica parecia ser considerada muitas vezes supérflua ou irrelevante.

Um fator importante nas decisões do Corpo Governante era a regra da maioria de dois terços. Isto às vezes produzia alguns resultados curiosos.

A regra era que se precisava de uma maioria de dois terços (dos membros ativos) para fazer-se aprovar uma moção. Eu pessoalmente apreciava a oportunidade concedida por isto para que um membro se “abstivesse” sem sentir que estava exercendo o “poder de veto”. Nos casos menos importantes, eu geralmente votava com a maioria. Mas quando surgiam questões que afetavam profundamente minha consciência, encontrava-me freqüentemente entre a minoria, raramente sozinho mas muitas vezes com apenas um, dois ou três de outros membros que alegavam objeção de consciência por não votar a favor da moção.4 Muitas vezes não foi assim durante os primeiros dois anos mais ou menos depois da grande mudança efetuada na estrutura do poder (posta oficialmente em vigor em 1º de janeiro de 1976). Nos meus dois últimos anos como membro, entretanto, uma forte tendência a uma avaliação de “linha dura” me obrigou a abster-me com maior freqüência.

Porém, considere agora o que às vezes acontecia quando o Corpo estava completamente dividido em seu ponto de vista, uma ocorrência bem menos rara do que alguns poderiam imaginar.

Devia-se discutir uma questão envolvendo conduta que tinha, em algum ponto no passado da Sociedade, sido designada como “transgressão passível de desassociação”, talvez receber particularmente certa pessoa injeção de pequena fração de sangue para controlar uma doença potencialmente fatal; ou, possivelmente, o caso de uma esposa que tinha marido não-Testemunha no serviço militar e que trabalhava num armazém da base militar de seu marido.

Às vezes o Corpo podia estar muito dividido em tais discussões, algumas vezes até rachado ao meio. Ou podia haver uma maioria que favorecia a retirada de uma determinada atividade, conduta ou tipo de emprego da categoria de “transgressão passível de desassociação”. Considere o que podia acontecer por causa da regra da maioria de dois terços:

Se, dos quatorze membros presentes, nove favorecessem a retirada do rótulo de “transgressão passível de desassociação” e só cinco favorecessem sua manutenção, a maioria não era suficiente para mudar o rótulo indicativo de desassociação. Apesar da clara maioria, os nove não formavam uma maioria de dois terços. (Mesmo se houvesse dez deles a favor desta mudança, ainda não eram suficientes, pois, apesar de serem dois terços da maioria dos quatorze presentes, a regra era dois terços do total dos membros ativos, que durante a maior parte do tempo era dezessete ou dezoito.) Se alguém dentre os nove favoráveis à remoção da categoria passível de desassociação apresentasse uma moção, ela iria fracassar, já que eram necessários doze votos para que ela passasse. Se alguém dentre os cinco favoráveis à manutenção da categoria de transgressão “passível de desassociação” apresentasse a moção de que a norma fosse mantida, fracassaria naturalmente também. Mas mesmo o fracasso da moção para se reter a categoria não resultaria na remoção dessa categoria passível de desassociação. Por que não? Porque a norma era que alguma moção tinha de ser aprovada antes de fazer-se qualquer mudança em uma norma anterior. Em um dos primeiros destes exemplos de tal voto dividido, Milton Henschel havia expressado o ponto de vista de que, quando não houvesse nenhuma maioria de dois terços, então o “status quo deveria prevalecer”, nada deveria mudar. Era muito raro, nestes casos, um membro fazer uma mudança no seu voto, de modo que a coisa acabava geralmente num impasse.

 

4  Posso recordar-me, e meus registros o indicam, de apenas uma ou duas ocasiões, em mais de oito anos, em que me achei completamente sozinho em abstenção.

 

Isso significava que a Testemunha que exercesse determinada atividade ou tivesse determinado emprego considerado, ainda estaria sujeita à desassociação, apesar da maioria do Corpo ter deixado claro que ela não deveria mais estar sujeita a isto!

Em mais de uma ocasião, quando uma minoria considerável ou mesmo uma maioria (apesar de não ser de dois terços) achava que um problema não deveria ser uma transgressão passível de desassociação, manifestei minha opinião de que a nossa posição era desarrazoada e até incompreensível. Como podíamos permitir que as coisas continuassem como antes, com pessoas sendo desassociadas por tais coisas, quando bem dentro do Corpo Governante, havia vários de nós, algumas vezes a maioria, que achavam que a atividade envolvida não merecia tal julgamento severo? Como se sentiriam os irmãos e as irmãs ao saberem que isto acontecia e estavam, ainda assim, sendo desassociados?5

Para ilustrar, se cinco anciãos congregacionais que compõem uma “comissão judicativa” tivessem de dar consideração a um caso e três dos cinco não acreditassem que a atividade ou conduta da pessoa requeria desassociação, iria o fato de eles serem apenas uma maioria de três quintos e não uma maioria de dois terços tornar sua posição inválida?6 Seria a pessoa então desassociada? Certamente que não. Como poderíamos nós, então, permitir que uma simples regra de votação fizesse prevalecer uma posição tradicional sobre desassociação, quando a maior parte dos membros do Corpo pensava o contrário? Não deveríamos nós tomar, pelo menos, a posição de que, em todos os casos de desassociação, mesmo quando uma minoria considerável (e especialmente uma maioria embora pequena) achasse que não havia razões suficientes para desassociação, então a regra de não-desassociação deveria ser mantida?

 

 

5  A natureza secreta das sessões do Corpo Governante admite, evidentemente, pouca probabilidade de alguém vir a saber disto. As “Atas” das reuniões nunca são abertas para ser vistas por outras Testemunhas.

 

Estas questões submetidas ao Corpo ficavam sem resposta, mas vez após vez em tais casos, vigorava a norma previamente estabelecida, tradicional, e fazia-se isto como coisa de rotina, como algo normal. Qualquer que fosse o efeito na vida das pessoas isto não exercia influência suficiente para fazer com que os membros se sentissem movidos a abrir mão de sua norma “padrão” em tais casos. Em algum momento no passado da organização, fora formulada uma norma de desassociação (resultante muitas vezes da opinião de um único homem, muitíssimas vezes alguém flagrantemente isolado das circunstâncias consideradas) e colocara-se essa norma em vigor; adotara-se uma regra e essa regra imperava, a menos que fosse derrubada por uma maioria de dois terços.

Talvez nenhum outro caso ilustre tão bem essa estranha maneira de encarar as coisas como o que envolve a questão do serviço alternativo.

“Serviço alternativo” representa o serviço civil oferecido pelo governo como uma alternativa para aqueles que têm objeções de consciência à participação no serviço militar. Um bom número de países esclarecidos oferece esta alternativa a tais pessoas entre seus cidadãos.

A posição oficial da Sociedade Torre de Vigia, desenvolvida durante a 2ª Guerra Mundial, é que se alguém das "Testemunhas de Jeová" aceita esse serviço alternativo, ele “transige”, viola sua integridade para com Deus. O raciocínio por trás disso é que, já que este serviço é um “substituto”, assume portanto o lugar daquilo que substitui e (assim vai aparentemente o raciocínio) vem a representar a mesma coisa. Já que é oferecido em lugar do serviço militar e o serviço militar envolve (potencialmente pelo menos) o derramamento de sangue, então qualquer um que aceite o substituto torna-se “culpado de sangue”. Esta norma extraordinária desenvolvida no período anterior ao Corpo Governante tornou-se realidade e foi evidentemente decidida por Fred Franz e Nathan Knorr durante o tempo em que produziram todas as principais decisões normativas.

 

6 Três tirado de cinco é apenas 60%, não 66,6 % como numa maioria de dois terços.

Durante anos, em obediência a esta norma, literalmente milhares de "Testemunhas de Jeová", em diferentes países ao redor do mundo, foram para a prisão em vez de aceitar as provisões de serviço alternativo. Muitas Testemunhas foram para a prisão por este motivo. Deixar de aderir à norma da Sociedade significaria serem vistos automaticamente como “dissociados” e tratados do mesmo modo como se fossem desassociados.

Em novembro de 1977, uma carta de uma Testemunha na Bélgica questionava o raciocínio sobre o qual se apoiava esta norma. Isto levou à consideração do problema pelo Corpo Governante, primeiro em 28 de janeiro de 1978, depois em 1º de março e, novamente, em 26 de setembro, 11 de outubro, 18 de outubro e 15 de novembro. Foi feita uma pesquisa mundial e receberam-se cartas dos cerca de noventa escritórios de filiais. Um número considerável indicava que as Testemunhas em seus respectivos países tinham dificuldade de ver qualquer base bíblica existente para a posição adotada. Considere o que aconteceu no Corpo Governante.

Na reunião de 11 de outubro de 1978, dos treze membros presentes, nove votaram a favor de mudar-se a norma tradicional de modo que a decisão de aceitar ou rejeitar o serviço alternativo seria deixado a cargo da consciência do indivíduo, mas quatro votaram contra. Resultado? Visto que havia então dezesseis membros no Corpo e nove não representavam dois terços de dezesseis, não se fez nenhuma mudança.

Em 15 de novembro, todos os dezesseis membros estavam presentes e onze votaram a favor da mudança da norma, de modo que a Testemunha que se sentisse conscienciosamente em condições de aceitar tal serviço, não seria automaticamente classificada como infiel a Deus e dissociada da congregação. Isto representava uma maioria de dois terços. Realizou-se a mudança?

Não, pois depois de um breve intervalo, um dos membros do Corpo Governante anunciou que tinha mudado de idéia. Isso acabou com a maioria de dois terços. Feita uma votação subseqüente, com quinze membros presentes, houve nove a favor da mudança, cinco contra e uma abstenção.7

Apesar de, em todas estas votações, uma clara maioria do Corpo Governante favorecer a revogação da norma existente, essa norma continuou em vigor e, em conseqüência disso, ainda se esperava que varões Testemunhas corressem o risco de ser presos em vez de aceitar serviço alternativo — apesar de achá-lo conscienciosamente apropriado aos olhos de Deus. Embora pareça incrível, esta foi a posição adotada, e a maioria dos membros do Corpo pareceu aceitá-la, tudo como se não houvesse nada com que se perturbar. Estavam, afinal de contas, simplesmente seguindo as regras em vigor.

Em todos estes casos controvertidos, a “transgressão passível de desassociação” não era algo claramente identificado nas Escrituras como pecaminoso. Era assim puramente em resultado da norma organizacional. Uma vez publicada, essa norma se transformava numa carga lançada sobre a associação mundial dos irmãos para que eles a carregassem, junto com as conseqüências da norma. Em tais circunstâncias, é errado achar que se aplicam as palavras de Yaohushua: “Sobrecarregam-vos com pesados fardos e não estão dispostos a aliviar-vos, nem sequer com um dedo.”?8 Deixo que o leitor tire sua conclusão. Apenas sei o que me ditava a minha consciência e a posição que me sentia forçado a tomar.

Não obstante, acho que os membros do Corpo Governante geralmente acreditavam estar fazendo a coisa certa. Que pensamento poderia fazê-los apegar-se a uma posição de desassociação em face de uma minoria considerável ou, possivelmente, da metade ou mais dos seus companheiros?

Num caso em que a discussão prolongada tornou previsível tal situação, Ted Jaracz manifestou um ponto de vista que pode refletir apropriadamente o pensamento dos demais. De descendência eslava (polonês) como Dan Sydlik, Jaracz se destacava tanto em estatura como em temperamento. Enquanto Sydlik era frequentemente levado pelo sentimento de “ousadia” com relação à condição certa ou errada de certa questão, Jaracz era de uma natureza mais moderada. Nesta reunião em particular, ele admitiu que ‘a norma existente poderá trazer certa medida de dificuldade sobre alguns indivíduos nesta situação específica em discussão’ e disse: “Não é que não sintamos compaixão pelos envolvidos com o problema, mas temos sempre de ter em mente que não estamos tratando com apenas duas ou três pessoas, temos de ter em perspectiva uma grandiosa organização mundial e temos de pensar no efeito sobre essa organização mundial.”9

 

7  Segundo meus registros, os que votaram a favor foram: John Booth, Ewart Chitty, Ray Franz, George Gangas, Leo Greenlees, Albert Schroeder, Grant Suiter, Lyman Swingle e Dan Sydlik. Os que votaram contra foram: Carey Barber, Fred Franz, Milton Henschel, William Jackson e Karl Klein. Ted Jaracz se absteve.

8 Mateus 23:4

9  Estes pontos podem também ter sido substancialmente o que Milton Henschel quis dar a entender quando comentava freqüentemente sobre a necessidade de “ser prático” em nossa maneira de tratar de tais assuntos, pois, ao votar, sua posição e a de Ted Jaracz coincidiam com regularidade.

 

Esta visão, de que aquilo que é bom para a organização é bom para as pessoas que fazem parte dela, e que os interesses do indivíduo são, de fato, “sacrificáveis” quando os interesses da grandiosa organização parecem exigi-lo, parecia ser aceita como uma posição válida por muitos dos membros.

Adicionalmente, alguns podiam apresentar o argumento de que qualquer abrandamento da posição poderia “abrir o caminho” para uma enxurrada de transgressão. Se se conhecessem um ou mais exemplos extremos de má conduta que pudessem ser relacionados com o assunto em discussão, estes eram apresentados como forte evidência do perigo potencial. Apresentava-se usualmente o aspecto ameaçador de tal perigo nestes casos, mesmo antes de ser apresentada uma moção, quando era bem evidente que um número considerável do Corpo se inclinava a favor de uma mudança. Num desses casos, Milton Henschel recomendou seriamente cautela seriamente, fazendo crer que, “Se deixarmos os irmãos fazerem isto, não sabemos até onde irão.”

Creio que ele e outros que insistiam no mesmo ponto em outras ocasiões, sem dúvida, acreditavam sinceramente ser necessário apegar-se firmemente às antigas normas a fim de ‘manter as pessoas na linha’, prendê-las dentro da “cerca” protetora, para que não se perdessem.

Se a “cerca” protetora destas normas tivesse sido na realidade do tipo claramente delineado na Palavra de Deus, eu teria sido obrigado a concordar e o teria feito com prazer. Muitas vezes não era esse o caso e, que não era, foi claramente indicado pelo fato de os anciãos (muitas vezes, homens das comissões de filial), que haviam escrito sobre o assunto, não terem encontrado nada nas Escrituras que tratasse do problema, e pelo fato de o próprio Corpo não ter encontrado nada também. Portanto, os membros tinham de recorrer à sua própria argumentação numa discussão prolongada, sob muitos aspectos, num debate.

Na última ocasião mencionada, seguindo-se à declaração de Milton Henschel, meu comentário foi que eu não acreditava que nos coubesse “deixar” os irmãos fazerem certas coisas. Em vez disso, eu cria que Deus é o Único que os “deixa” fazer certas coisas, quer porque sua Palavra as aprova quer porque é omissa quanto ao problema, e que Ele é o Único que os proíbe, quando sua Palavra condena claramente o ato, quer de maneira explícita quer através de um princípio claro. Que não acreditava que nós, como homens imperfeitos e sujeitos a erros, estivéssemos jamais autorizados por Deus a decidir o que deveria ser permitido ou proibido para eles. A minha pergunta diante do Corpo era: “Quando um assunto não estiver claro nas Escrituras, por que deveríamos nós tentar fazer o papel de Deus? Atuamos tão mal nesse papel. Por que não O deixamos, em tais casos, ser o Juiz destas pessoas?” Repeti este ponto de vista em outras ocasiões em que estava sendo apresentada a mesma linha de argumento, mas não creio que a maioria tivesse esse entendimento e suas decisões provaram que não tinham.

Pintar um quadro agourento do potencial de maldade irreprimida por parte dos irmãos simplesmente porque nós, como Corpo Governante, revogamos algum regulamento existente, parecia-me como dizer que suspeitávamos que nossos irmãos careciam de verdadeiro amor à justiça, desejando interiormente pecar e precisando ser mantidos sob controle somente por regulamentos organizacionais.

Veio-me à mente um artigo publicado alguns anos antes na revista Despertai! da Sociedade. Descrevia uma greve da polícia em Montreal, Canadá, e mostrava que a ausência de força policial por cerca de um dia, levou a toda sorte de atos de desordem por pessoas geralmente acatadoras da lei.

O artigo da Despertai! destacava que os verdadeiros cristãos não tinham de estar sujeitos a uma imposição da lei para agir de maneira lícita.10

 

10 Veja a Despertai! de 8 de junho de 1970, páginas 21-24.

 

Por que então, eu me perguntava, o Corpo Governante adotou a posição de que era perigoso revogar um regulamento tradicional, na crença de que isto podia “abrir o caminho” para a imoralidade e má conduta generalizadas por parte dos irmãos? O que dizia isso sobre nossa atitude para com esses irmãos e a confiança neles? Quão diferentes achávamos que eram estes irmãos daqueles indivíduos que violaram as leis durante a greve da polícia em Montreal, e quão profundo e genuíno acreditávamos ser realmente o amor deles à justiça? Às vezes, parecia ser esse o sentimento predominante dentro do Corpo: não confiem em ninguém além de nós. Para mim, isto, também, não parecia refletir uma modéstia recomendável.

Outro indício deste pensamento em tais casos era a ênfase dada à natureza duradoura de uma determinada norma. Isto ocorria porque, através dos anos, milhares haviam aderido fielmente às normas da Sociedade, mesmo que isso tivesse resultado num severo fardo para eles, levando talvez a encarceramento ou outro sofrimento. “Mudar agora”, argumentava-se, “poderá fazer com que tais pessoas achem que o que passaram foi desnecessário e, na medida em que tenham sentido satisfação pessoal em sofrer dessa maneira, encarando-o como ‘sofrimento pela causa da justiça’, poderão daqui em diante sentir-se desiludidas, possivelmente achando até injusto que tenham suportado uma forma de martírio enquanto outros poderão agora safar-se dele”.

Achava difícil harmonizar isto com o espírito encorajado pelas Escrituras. A impressão era que tais pessoas deveriam, em vez disso, regozijar-se em saber que não seria exigido de outros levarem esse fardo para que permanecessem numa boa condição na organização. Se, como ilustração, uma pessoa tivesse perdido uma fazenda devido a impostos onerosos, não deveria ela se regozijar por causa de amigos, confrontados com o mesmo prejuízo, se soubesse que o imposto oneroso foi suspenso? Não deveria um mineiro que sofre de doença nos pulmões ficar feliz se melhorassem as condições nas minas, mesmo que ele não pudesse mais tirar proveito delas? A impressão era que um cristão verdadeiro reagiria assim.

A atitude com a qual alguns membros do Corpo expressavam grave preocupação parecia mais refletir o espírito dos homens do vinhedo, do relato de Yaohushua, homens esses que haviam suportado o calor e o trabalho árduo durante longas horas e achavam injusto terem os trabalhadores das onze horas, que não haviam passado por isso, recebido a mesma recompensa que eles. Ou, aquele do irmão mais velho do filho pródigo, que disse a seu pai, “Eis que trabalhei tantos anos como escravo para ti, e nunca, nem mesmo uma única vez, transgredi teus mandamentos,” e que achava injusto que seu irmão mais moço não tivesse de fazer o mesmo para receber a aprovação de seu pai.11 Novamente, parecia-me que, esperar dos irmãos qualquer coisa exceto ficarem felizes por outros não terem de sofrer o que haviam sofrido, seria atribuir motivação errada a eles. Dava-me a impressão de que precisávamos perguntar-nos quanto da preocupação expressa não poderia ser atribuída à preocupação com a própria “imagem” do Corpo Governante, sua credibilidade, e sua influência sobre a confiança das pessoas, sendo afetada pelo medo de que, por admitir um erro, esta se enfraqueceria.

As conseqüências advindas destas decisões divididas não eram, de maneira alguma, irrelevantes. Deixar de harmonizar-se com uma decisão do Corpo Governante, uma vez publicada ou anunciada, poderia levar, e realmente levava, à desassociação, a ser separado da congregação, da família e dos amigos. Harmonizar-se, por outro lado, poderia exigir a desistência de certo emprego, às vezes em situações quando empregos eram escassos e os custos de manutenção de uma família eram elevados. Poderia significar tomar uma posição contrária aos desejos do companheiro, posição essa que poderia levar, e às vezes levava, ao divórcio, à dissolução do casamento, do lar e da família, separando os filhos do pai e da mãe. Poderia significar sentir-se forçado a recusar-se a obedecer a certa lei, e ser então preso e afastado da família e do lar para um lugar de encarceramento. Poderia, na realidade, significar a perda da própria vida ou, o que pode ser ainda mais difícil de suportar, ver entes queridos perdidos na morte.

 

"ALIMENTAR-SE DE SANGUE"

Para ilustrar as dificuldades que poderiam surgir, mesmo quando se fazia mudança em alguma regra anterior, considere a posição organizacional adotada com relação aos hemofílicos e o uso de frações de sangue (tais como Fator VIII e IX, fatores coagulantes) para prevenir uma hemorragia fatal.

Por muitos anos, pedidos de informação enviados à sede da organização (ou seus escritórios de filiais) por hemofílicos recebiam a resposta de que aceitar tal fração [hemocomponente] de sangue uma única vez poderia ser visto como não objetável, de fato, como “medicação”. Mas fazê-lo mais de uma vez significaria “alimentar-se” dessa fração de sangue e seria, portanto, considerado uma violação da injunção bíblica contra comer sangue.12

 

11 Mateus 20:1-15; Lucas 15:25-32.

12 Os textos referidos incluíam Gênesis 9:3, 4; Levítico 17:10-12; Atos 15:28, 29.

 

Anos mais tarde, esta regra mudou. Os membros da equipe, que trabalhavam em responder à correspondência, sabiam que tinham enviado cartas, no passado, dizendo o contrário e que os hemofílicos que tinham tomado sua injeção “uma única vez” estavam ainda sob a impressão de que, fazê-lo novamente, seria contado como uma violação das Escrituras. Poderiam sangrar até morrer por apegarem-se a tal posição...

A administração não era favorável à publicação impressa da nova posição já que a posição antiga nunca havia sido impressa mas apenas transmitida aos indivíduos que tinham solicitado particularmente a informação. Publicar alguma coisa exigiria primeiro explicar qual tinha sido a antiga posição e então explicar que ela estava agora obsoleta. Isto não parecia desejável. Desse modo, os trabalhadores da equipe fizeram uma busca diligente em seus arquivos para achar os nomes e endereços de todas essas pessoas e enviou-se outra carta a cada uma avisando da mudança. Os trabalhadores da equipe se sentiam melhor com isto.

Perceberam então que muitos dos pedidos de informação tinham vindo por telefone e que não tinham nenhum registro de tais chamadas telefônicas e absolutamente nenhuma maneira de determinar quem eram os hemofílicos que pediram a informação. Se, no ínterim, entre a antiga e a nova regra, alguns tivessem morrido, eles não poderiam saber; se alguns, a quem não tinham conseguido contatar ainda morreriam por apegar-se à antiga regra, eles também não poderiam saber; só sabiam que tinham seguido instruções, sendo lealmente obedientes a seus superiores na organização.

Esta mudança na norma tornou-se oficial na sessão de 11 de junho de 1975 do Corpo Governante. (Veja também o Apêndice) Foi somente em 1978 que a mudança foi finalmente colocada de forma impressa, embora expressa de maneira um tanto obscura e, o que é curioso, arrolada à questão do uso de injeções de plasma para combater doença (ao passo que a hemofilia não é doença mas uma deficiência hereditária), no número de A Sentinela de 1º de dezembro de 1978. Não se reconhecia ainda que isto representava uma mudança na norma anterior quanto ao múltiplo uso de fração de sangue por hemofílicos.

Escutar alguns dos argumentos apresentados nas sessões do Corpo Governante fez lembrar os muitos casos ganhos pelas "Testemunhas de Jeová" perante a Suprema Corte dos Estados Unidos. Advogados de acusação haviam usado, em muitos aspectos, argumentos similares aos usados no Corpo Governante. Tais advogados enfatizavam os perigos potenciais. Eles alegavam que havia um forte risco de a visita de porta em porta poder transformar-se num sério aborrecimento ou num subterfúgio para o roubo e outras atividades criminosas, e que isto justificava impor restrições à liberdade das Testemunhas de levar adiante esta atividade. Diziam que conceder liberdade às Testemunhas para prosseguirem com sua atividade pública ou fazerem discursos em parques de certas comunidades poderia resultar em tumulto, devido à atitude adversa e hostil da comunidade como um todo, e que, por isso, dever-se-ia impor-lhes restrições. Argumentavam que dar permissão às Testemunhas para estas expressarem seus pontos de vista sobre assuntos tais como saudar a bandeira, ou sua atitude com relação aos governos do mundo como “parte da organização do Diabo”, poderia ser prejudicial aos interesses da maior parte da comunidade e gerar possivelmente uma deslealdade generalizada, portanto, sediciosa; assim, as restrições eram algo necessário.

Os magistrados da Suprema Corte demonstravam, em muitos casos, discernimento e clareza mental extraordinários ao penetrar em tais argumentos, provando ser eles arguciosos. Não concordavam que os direitos do indivíduo ou de uma pequena minoria impopular pudessem ser apropriadamente restringidos simplesmente porque um perigo possível ou imaginário, ou os interesses reivindicados pela grande maioria fizessem com que isto parecesse desejável. Sustentavam que, antes de aplicar-se qualquer restrição legítima limitando tais liberdades, o perigo deve ser mais que um “medo”, algo que se supõe provável de manifestar-se. Deve ser provado que é um “perigo claro e presente”, do tipo realmente existente.13

Quantas decisões favoráveis teriam as Testemunhas recebido se os magistrados da Suprema Corte não tivessem demonstrado tal sabedoria criteriosa, tal habilidade de ver em que se baseia a verdadeira questão, tal preocupação pelo indivíduo? Suas decisões foram aplaudidas nas publicações da Sociedade. Infelizmente, entretanto, seus elevados padrões de julgamento e sua abordagem com relação a questões emocionalmente carregadas pareciam estar, com freqüência, num nível mais elevado que o evidenciado em muitas sessões do Corpo Governante. Faz lembrar a declaração de um magistrado da Suprema Corte no caso de uma determinada Testemunha. Disse ele: O caso se torna difícil, não porque os princípios de sua decisão são obscuros, mas porque a bandeira envolvida é a nossa. No entanto, aplicamos as limitações da Constituição sem nenhum temor de que a liberdade de ser intelectual e espiritualmente diferente ou mesmo contrário venha a desintegrar a organização social... a liberdade de divergir não está limitada a coisas que não tenham muita importância. Essa seria uma mera sombra da liberdade. O teste de sua substância consiste no direito de divergir com relação às coisas que tocam o âmago da ordem existente.14

 

13 Veja a publicação da Sociedade Defendendo e Estabelecendo Legalmente as Boas Novas (em inglês), página 58.

14Ibid., página 62

 

A confiança expressa pelo magistrado na ‘ordem social existente’ e nas liberdades por esta defendidas parecia consideravelmente maior que a confiança expressa por alguns membros do Corpo Governante em suas co-Testemunhas e no resultado que sua liberdade de consciência, pudesse ter, se exercida, na “ordem Teocrática” existente. Se os magistrados da Suprema Corte tivessem raciocinado como alguns membros do Corpo Governante raciocinavam, as Testemunhas teriam provavelmente perdido um caso após outro.

As decisões da Corte são julgadas pela história. A declaração bíblica sobre um dia que na certa virá, em que cada ancião cristão “prestará contas” ao Supremo Juiz dos seus procedimentos e tratamento com o rebanho de Deus, deveria certamente dar àqueles que exercem grande autoridade entre os cristãos um sério motivo para avaliarem cuidadosamente o que fazem.15

Por causa do poder que a organização exerce sobre seus membros através de suas decisões e por causa da enorme repercussão que estas podem ter sobre a vida das pessoas, parece apropriado recapitular aqui um dos maiores exemplos de inconsistência verificados nos meus nove anos no Corpo. Ainda parece difícil de acreditar que homens, que proclamavam tamanha preocupação com “uma posição intransigente”, em “manter a organização limpa”, ao evitar qualquer mancha de “mundanismo”, pudessem, ao mesmo tempo, tentar ignorar uma circunstância que só pode ser descrita como chocante. Você pode julgar a propriedade desse termo pelo que segue.

 

15Hebreus 13:17.

 

 CAP 7: PREDIÇÕES E PRESUNÇÃO

 

...se aquilo que foi profetizado não acontecer é porque não foi o Criador quem comunicou essa mensagem; foi fruto da sua própria imaginação. Não têm que se preocupar minimamente com o que ele disse.  Debarim 18:22 [ESN].

 

QUANDO se consideram atitudes em torno da prometida volta de Yaohushua hol'Mehushkháy, deve-se certamente preferir expectativa ansiosa à apatia. Os cristãos primitivos, decididamente, não eram apáticos acerca desse evento tão esperado.

Em certa ocasião, assisti a um programa de televisão no qual um representante de relações públicas do escritório da filial das "Testemunhas de Jeová" no Canadá, Walter Graham, respondia a perguntas sobre o fracasso de certas predições relacionadas com a volta de Cristo. Ele disse que, caso se achasse qualquer responsabilidade da parte das "Testemunhas de Jeová" neste respeito, isso se devia então exclusivamente ao “nosso anseio de ver o nome de Deus vindicado e o seu Reino governando a terra”.

A maioria das pessoas, penso eu, concordará que é simplesmente humano cometer o erro de falar coisas sob o impulso do momento, deixar que o pensamento fantasioso ou talvez o desejo intenso e a empolgação ansiosa influenciem nosso julgamento fazendo com que tiremos conclusões precipitadas. Em algum momento de nossas vidas, todos nós temos feito isso. Com certeza, se isso fosse tudo o que estava envolvido, ninguém teria motivo para grande preocupação.

No entanto, não acredito, pessoalmente, que isso seja tudo o que está envolvido aqui. As questões vão mais profundamente e os fatores relacionados têm um significado muito maior do que os de algum erro comum e incidental que às vezes todos nós cometemos. Isto se dá particularmente dessa maneira por causa do modo como as predições envolvidas afetaram os interesses mais importantes da vida das pessoas.

Um fator que não pode ser tratado levianamente é que o Corpo Governante encara as "Testemunhas de Jeová", pelo menos os da “classe ungida” (à qual pertencem todos os membros do Corpo Governante) como desempenhando o papel de um “profeta”, designadas por Deus para essa tremenda responsabilidade.

Dessa forma, o exemplar da revista A Sentinela de 1º de outubro de 1972, na página 581, trouxe um artigo intitulado “Saberão Que Houve um Profeta no Seu Meio”. Levantava a questão quanto a se Jeová Deus tinha, nos tempos modernos, um profeta para ajudar o povo, “para avisá-los dos perigos e declarar-lhes as coisas vindouras”. A resposta dada foi sim, que o histórico atestava que havia tal profeta.

 

IDENTIFICAÇÃO DO “PROFETA”

A estas perguntas pode-se responder na afirmativa. Quem é este profeta?

Este “profeta” não era um só homem, mas um grupo de homens e mulheres. Era o grupo pequeno de seguidores das pisadas de Yaohushua hol'Mehushkháy, conhecidos naquele tempo como Estudantes Internacionais da Bíblia. Hoje, são conhecidos como testemunhas cristãs de Jeová. Ainda proclamam um aviso, e nesta sua obra comissionada juntam-se a eles e ajudam-lhes centenas de milhares de pessoas que escutaram a sua mensagem, crendo nela 

Naturalmente, é fácil dizer-se que este grupo age como “profeta” de Deus. Outra coisa é provar isso. A única maneira em que isto pode ser feito é recapitular a história. O que demonstra ela?

A “história” merece ser recapitulada. Que ela revela erros, até a organização central reconhece. Certa manhã em 1980, quando presidia a consideração do texto diário no lar de Betel em Brooklyn, o presidente da Sociedade, Fred Franz, relatou à família da sede suas recordações das expectativas mantidas em torno do ano de 1925, predito como o tempo para o “restabelecimento de todas as coisas” no milênio. Ele citou o Juiz Rutherford como tendo dito logo depois com relação às suas próprias predições: “Sei que fiz papel de asno.”1 [Ou como se diria em português: “Sei que fiz papel de tolo”]

 

1                     Esta declaração de Rutherford é citada na revista Despertai! de 22 de setembro de 1987, página 19, em nota de rodapé.

 

A organização, no entanto, trata estes erros como mera evidência da imperfeição humana e também como evidência do grande desejo e aspiração de ver cumpridas as promessas de Deus.

Eu creio que a “história” mostra que há algo mais que isso. Uma coisa é um homem fazer papel de “asno” por querer ver alguma coisa acontecer. Outra coisa bem diferente é ele instar com outros para que partilhem de suas idéias, criticá-los se não as aceitam, até duvidar da fé deles e contestar seus motivos se não entendem o assunto como ele entende.

Mais sério ainda é que uma organização que se apresenta como o porta-voz designado de Deus para toda a humanidade faça isto — e o faça, não por alguns dias ou meses, mas por anos, até mesmo décadas, repetidamente, a nível mundial. A responsabilidade pelos resultados não pode, na verdade, ser minimizada por dizer-se simplesmente: “Bem, ninguém é perfeito.”

Ninguém é perfeito, mas cada um de nós leva a responsabilidade pelo que faz. E isso se dá especialmente quando nossas ações afetam dramaticamente algo tão importante e pessoal como a relação dos outros com Deus.

Não é menos sério quando um grupo de homens está dividido em sua opinião quanto às predições relacionadas com certa data e apresenta, ainda assim, perante seus adeptos, uma aparência externa de confiança unificada, encorajando esses adeptos a depositarem confiança inabalável nessas predições.

Suponho que devo atribuir o mérito por convencer-me da realidade destas coisas também à minha experiência com o Corpo Governante. Durante os primeiros vinte anos mais ou menos de minha associação ativa com as "Testemunhas de Jeová", eu tinha, no máximo, uma vaga idéia acerca de alguns fracassos de predições passadas e não lhes dava absolutamente qualquer importância significativa. Não tinha nenhum interesse em literatura que atacasse nossos ensinos neste ponto. Desde o fim dos anos cinqüenta em diante, certas publicações da Sociedade, tais como As "Testemunhas de Jeová" no Propósito Divino (uma história da organização, em inglês) e o livro patrocinado pela Sociedade A Fé em Marcha (em inglês) mencionavam realmente estes fracassos, mas fazia isso de modo a fazê-los parecer como de pouca conseqüência e eu os via nessa mesma perspectiva.

Foi somente no final dos anos setenta que me dei conta de quão longe tinha ido exatamente o assunto. Inteirei-me então sobre isso, não através da chamada “literatura dos opositores”, mas através das próprias publicações da Torre de Vigia e de Testemunhas ativas e respeitadas, inclusive co-membros do Corpo Governante das "Testemunhas de Jeová".

1914 é a data principal sobre a qual se apóia grande parte da estrutura de doutrinas e de autoridade das "Testemunhas de Jeová". As "Testemunhas de Jeová" defendem atualmente as seguintes crenças ligadas a essa data:

Que, em 1914, Yaohushua hol'Mehushkháy passou a estar “presente” de maneira invisível aos olhos humanos, começando, conseqüentemente nessa data, um período de julgamento para todos os seus professos seguidores e para o mundo.

Que, em 1914, Yaohushua hol'Mehushkháy começou sua regência ativa com relação ao mundo inteiro, com seu reino assumindo oficialmente o poder.

Que 1914 assinala o início dos “últimos dias” ou do “tempo do fim” predito na profecia bíblica.

Que a geração de pessoas que viviam em 1914 e que tinham a capacidade de compreender o que viram então acontecer seria a ‘geração que não passaria até que se cumprissem todas as coisas’, inclusive a destruição do sistema existente de coisas (isto foi mudado em 1995).

Que, três anos e meio depois de 1914 (em 1918), começou a ressurreição dos cristãos que dormiam na morte, desde os apóstolos em diante.

Que, por volta do mesmo tempo (em 1918), os verdadeiros seguidores de Cristo que viviam então entraram em cativeiro espiritual com relação à Babilônia, a Grande, sendo libertados no ano seguinte, 1919, ocasião em que Yaohushua hol'Mehushkháy os reconheceu coletivamente como seu “escravo fiel e discreto”, sua agência aprovada para dirigir sua obra e cuidar de seus interesses na terra, seu único canal para transmitir orientação e esclarecimento a seus servos por toda a terra.

Que, desse tempo em diante, está em andamento a obra da “colheita” final, resultando na divisão de todas as pessoas em duas classes, “ovelhas” e “cabritos”, com salvação ou destruição como seus respectivos destinos. (Isto foi mudado em 1995).

Enfraquecer a crença no significado da data fundamental de 1914 seria enfraquecer toda a superestrutura doutrinal (descrita acima), que se fundamenta nela. Seria também enfraquecer a pretensão de autoridade especial alegada pelos que atuam como o grupo que representa oficialmente a classe do “escravo fiel e discreto”.

Eliminar essa data como sendo de tanta importância poderia significar o virtual colapso de toda a estrutura de doutrinas e autoridade nela fundamentadas. Eis quão crítico é.

Apesar disso, poucas Testemunhas sabem atualmente que, por quase meio século — desde 1879 até o fim dos anos vinte —, as profecias relativas a datas na revista A Sentinela, (chamada A Torre de Vigia, na época) e publicações correlatas eram essencialmente contrárias a todas as crenças delineadas pouco acima. Quanto a mim, não me dei conta disso até anos recentes. Descobri então que, durante quase cinqüenta anos, o “canal” da Torre de Vigia (A Sentinela) havia atribuído tempos e datas diferentes para cada uma das coisas relacionadas acima, e que foi só o fracasso de todas as expectativas originais com relação a 1914 que levou à designação de novas datas para aqueles pretensos cumprimentos de profecias.

Conforme considerado num capítulo anterior, a pesquisa que eu tive de fazer com relação ao livro Ajuda ao Entendimento da Bíblia convenceu-me de que a data de 607 A.E.C. da Sociedade para a destruição de Jerusalém por Babilônia era contrária a toda evidência histórica conhecida. Ainda assim, continuei a depositar confiança nessa data apesar da evidência, achando que tinha apoio bíblico. Sem 607 A.E.C., a data crucial de 1914 seria posta em dúvida. Adotei o ponto de vista de que a evidência histórica era provavelmente defeituosa e argumentei nesse sentido no livro Ajuda.

Aí, em 1977, uma Testemunha de Jeová da Suécia, chamada Carl Olof Jonsson, enviou à sede em Brooklyn uma quantidade substancial de pesquisa que fizera sobre cronologia relacionada com a Bíblia e sobre especulação cronológica. Jonsson era ancião e estivera ativamente associado com as "Testemunhas de Jeová" por uns vinte anos.

Tendo eu mesmo experiência com pesquisa sobre cronologia, fiquei impressionado com a profundidade com que ele havia examinado a matéria, bem como pela inteireza e veracidade de sua apresentação. Basicamente, ele procurou chamar a atenção do Corpo Governante para a fragilidade nos cálculos cronológicos da Sociedade que levam à data de 1914 como o ponto final dos “tempos dos gentios”, mencionados por Yaohushua em Lucas, capítulo 21, versículo 24 (chamados de “os tempos designados das nações” na Tradução do Novo Mundo).

Explicado de forma resumida, chega-se à data de 1914 pelo seguinte processo:

No quarto capítulo da profecia de Daniel, ocorre a expressão “sete tempos”, aplicada aí ao rei babilônico Nabucodonosor enquanto descreve um período de sete anos de loucura pelo qual o rei passaria.2 A Sociedade ensina que esses “sete tempos” profetizam algo maior, a saber, o período de tempo que se estende desde a destruição de Jerusalém (fixada pela Sociedade como 607 A.E.C.) até o fim dos “tempos dos gentios”, explicados como significando o período durante o qual as nações gentias exercem domínio “ininterrupto” sobre a terra.

Os “sete tempos” são interpretados como significando sete anos, com cada ano se constituindo de 360 dias. Sete multiplicado por 360 dá 2.520 dias. Entretanto, faz-se referência a outras profecias que usam a expressão “um dia por um ano.”3 Empregando-se esta fórmula, os 2.520 dias se transformam em 2.520 anos, que vão de 607 A.E.C. ao ano de 1914 E.C.

 

2 Daniel 4:17, 23-33.

3 Números 14:34; Ezequiel 4:6.

 

NOTA DE O CAMINHO: O autor também desconhece que Russell era maçom e dos estudos das pirâmides [Altura X Corredores], trouxe seus cálculos, adaptando-o a Dayan’ul 4 que, segundo as escrituras [vs. 33], cumpriu-se plenamente na vida de Nabucodonossor (Nebuchadnezar).                                                                     

Túmulo de Russell      .

Veja estes textos:

Aqui trago-lhes uma jóia da sabedoria que tem caracterizado à Watchtower desde suas origens. Em 1891 Russell achava que a pirâmide de Keops no Egito era tão importante como a Bíblia, em sua loucura piramidal chega a algumas conclusões sem sentido que até o dia de hoje perseguem às "Testemunhas de Jeová".

A descoberta das mentiras ditas por Russell e repetidas com nova maquiagem hoje em dia pelo Corpo Governante deveriam bastar para que as "Testemunhas de Jeová" pensarem e questiorem seriamente se elas estão em "Na Verdade" ou no pior de todos "Nos Enganos". 

Não há uma harmonia mais que notável entre esta "Testemunha" de pedra e a Biblia?". As datas de Outubro de 1914 e as de Outubro de 1881 são exactas ainda que a de 1910 não esteja fornecida pela Biblia mas parece ser uma data mais que razoável para algum importante acontecimento para a experiência e prova final da Igreja enquanto 1914 está aparentemente bem definido como o fim então virá a maior tribulación do mundo na qual alguns membros da "Grande multidão" poderão ter alguma parte. Sobre este particular recordemos que esta data limite de 1914 deve ser não somente testemunha da conclusão da selecção , prova e glorificación do inteiro corpo de Cristo senão também da purificación de alguns desta grande multidão de crentes ungidos que por temor e falta de coragem têm cessado de oferecer sacrifícios agradáveis a Deus e devido a isto estão mais ou menos contaminados por elogios crias e caminhos do mundo. Alguns dentre eles poderão sair da grande tribulación dantes do fim deste período ( Apoc 7:14). Muitos dentre eles estão ainda intimamente unidos às diversas ervas de discórdia e devem ser queimados" mas isso não será dantes de que a destruição ardente do período final da colheita tenha consumido os laços que os retêm em escravatura a Babilonia, então serão capazes de escapar, salvados "como através de fogo". 

Deverão assistir à destruição completa de "Babilonia a Grande" e terão uma verdadeira porção de suas plagas (Apo 18:4).,os quatro anos desde 1910 até o final de 1914 indicados na Grande Pirâmide
serão sem dúvida um tempo de prova ardente" para a Igreja (1 Cor 3:15) precedendo à anarquia do mundo ainda que não pode durar muito tempo " Se não se abreviassem aqueles dias nenhuma carne salvar-se-á" - Mat 24:22.

ESTUDOS DAS ESCRITURAS .VOL3. CAP.10 - 1891

De modo que no ano de 1914 estava apoiado pelas medidas de um corredor da pirâmide e qualquer pessoa hoje em dia dar-se-ia conta que isto é uma loucura, no entanto milhões de "Testemunhas de Jeová" seguem achando que essa loucura é uma verdade fundamental de sua religião, sem nem sequer saber a história que rodeia essa data. Russell enganou a sua geração e a Watchtower seguirá enganando quantas geração lhe permiterem. 

DAVID FONTES

www.extestemunhasdejeova.net/

 

Voltando a "Crise de Consciência":

 Conforme observado anteriormente, os ensinos atuais da Sociedade sobre o início da regência do reino de Cristo, os “últimos dias”, o começo da ressurreição e coisas relacionadas estão todos ligados a este cálculo. Poucas Testemunhas são capazes de explicar a complicada aplicação e combinação de textos envolvidos. Todos, porém, aceitam o produto final deste processo e cálculo.

A maioria das "Testemunhas de Jeová" entende que esta explicação, que leva a 1914, é mais ou menos peculiar à sua organização, tendo sido publicada inicialmente pelo primeiro presidente da Sociedade, o Pastor Russell. Em sua contracapa, a publicação da Sociedade As "Testemunhas de Jeová" no Propósito Divino, traz estas declarações:

 

1870 Charles Taze Russell inicia seu estudo da Bíblia com um pequeno grupo de associados.

 

1877 É publicado o livro “Três Mundos” identificando a data 1914 como o fim dos “Tempos dos Gentios”.

 

A impressão transmitida aqui, bem como a apresentada dentro do livro, é que este livro Os Três Mundos (que Russell apenas financiou) foi a primeira publicação a conter este ensino sobre 1914.

Isto é o que eu pensava até a chegada do material do ancião sueco à sede mundial. Percebi então quantos fatos haviam sido ignorados ou encobertos pelas publicações da Sociedade.

Jonsson traçou primeiro a longa história da especulação cronológica. Mostrou que a prática de se aplicar arbitrariamente a fórmula de “um dia por um ano” a vários períodos de tempo encontrados na Bíblia foi inicialmente utilizada por rabinos judaicos, datando do primeiro século E.C. No século 9 E.C., uma “série de rabinos judaicos” começaram a fazer cálculos e predições utilizando esta fórmula de dia = ano com relação aos períodos de tempo de 1.290, 1.335 e 2.300 dias encontrados na profecia de Daniel, aplicando em cada caso suas conclusões ao tempo para o aparecimento do Messias.4

Entre professos cristãos, a prática surgiu pela primeira vez no século 12, começando com um abade católico romano, Joaquim de Flora. Não apenas os períodos de dias encontrados na profecia de Daniel, mas também os períodos de 1.260 dias mencionados em Revelação, capítulo 11, versículo 3, e capítulo 12, versículo 6, foram então interpretados empregando-se o método de “um dia por um ano”. Com o passar do tempo, os diversos intérpretes chegaram a uma notável sucessão de datas, incluindo em suas predições o ano de 1260, depois 1360 e, posteriormente, várias datas no século 16. Mudanças e novas interpretações tornavam-se regularmente necessárias à medida que uma data após outra passava sem que acontecesse o evento predito.

Em 1796, George Bell, ao escrever numa revista de Londres, predisse a queda do “Anticristo” (o papa, segundo seu entendimento). Isto deveria acontecer em “1797 ou 1813”, baseando sua predição na interpretação dos 1.260 dias, usando, porém, um ponto de partida diferente dos outros intérpretes (alguns haviam começado sua contagem a partir do nascimento de Cristo, outros a partir da queda de Jerusalém, outros a partir do início da Igreja Católica). Sua predição foi escrita durante a Revolução Francesa. Não muito depois de tê-la formulado, ocorreu um evento surpreendente — o papa foi capturado pelas tropas francesas e forçado a ir para o exílio.

 

4  Daniel 8:14; 12:11, 12. O texto completo da pesquisa de Carl Olof Jonsson acha-se desde então publicado sob o título Os Tempos dos Gentios Reconsiderados, (Primeira edição: Lethbridge: Hart Publishers, 1983; segunda, terceira e quarta edições: Commentary Press, 1987, 1998 e 2004, respectivamente; primeira edição em português: 2008).

 

Muitos viram isto como um extraordinário cumprimento da profecia bíblica e 1798 foi aceito por eles como o fim dos proféticos 1.260 dias. Com base nisto, desenvolveu-se o entendimento de que o ano seguinte, 1799, marcava o começo dos “últimos dias”.

Revoltas adicionais na Europa produziram uma enxurrada de novas predições. Entre os prognosticadores, achava-se um homem na Inglaterra chamado John Aquila Brown. Pelo início do século 19, ele publicou uma explicação dos 2.300 dias de Daniel, capítulo 8, que os apresentava como terminando em 1844 E.C. Este entendimento foi adotado pelo pioneiro americano do Segundo Advento, William Miller.

 

NOTA DE O CAMINHO: Miller foi o precursor da IASD [Igreja Adventista do Sétimo Dia], cuja escatologia do Fim - comprovada pela falsa profetiza EGW - apontava para 1844. Mais tarde, Russel fazendo parte deste movimento e como a maioria dos chamados "pioneiros" eram maçons [incluindo Russell e Tiago White, esposo de Ellen G. White] e o ano de 1844 tornara-se um erro, pretendeu introduzir no adventismo os cálculos escatológicos da maçonaria, usando as medidas da Grande Pirâmide [Qops]. Porem enfrentou grande oposição dos White's, que culminou com a sua saída da IASD e com a consequente fundação do que seria a futura "Testemunhas de Jeová".

 

Veremos como estes cálculos vieram mais tarde a desempenhar um papel na história das "Testemunhas de Jeová".

Entrementes, John Aquila Brown desenvolvia uma explicação que está intimamente relacionada com o ano de 1914, tal como essa data figura nas crenças das "Testemunhas de Jeová". De que modo?

A evidência indica que Brown foi o verdadeiro originador da interpretação dos “sete tempos” de Daniel capítulo 4, a interpretação que produz os 2.520 anos pela fórmula dia-ano.

Brown publicou esta interpretação pela primeira vez em 1823 e seu método convertia os “sete tempos” em 2.520 anos, de um modo exatamente igual ao encontrado nas publicações da Torre de Vigia atualmente.

Isto foi 29 anos antes do nascimento de Charles Taze Russell, 47 anos antes de ele iniciar seu grupo de estudo da Bíblia e mais de meio século antes do aparecimento do livro Os Três Mundos.

Eu ignorava isso totalmente até o momento em que li o material enviado da Suécia para a Sociedade.

John Aquila Brown, entretanto, iniciava seu período de 2.520 anos em 604 A.E.C. e encerrava-o, portanto, em 1917 E.C. Ele predisse que nesse tempo “a plena glória do reino de Israel seria aperfeiçoada”.

De onde se originou, então, a ênfase sobre a data de 1914?

Após o fracasso das expectativas em torno do ano de 1844, houve consequentemente uma divisão de vários grupos do Segundo Advento, estabelecendo a maioria deles novas datas para a volta de Cristo. Um destes grupos se formou em torno de N. H. Barbour, de Rochester, Nova York.

Barbour estudou as obras de John Aquila Brown e adotou a maior parte de sua interpretação, mas alterou o ponto de partida dos 2.520 anos para 606 A.E.C. e surgiu com a data final de 1914 E.C. (Na realidade, isto representava um erro de cálculo, já que abrangeria somente 2.519 anos - esqueceu-se que não existe o Ano Zero).

Em 1873, Barbour publicava uma revista para seus adeptos do Segundo Adventismo intitulada inicialmente O Grito da Meia-Noite e, mais tarde, O Arauto da Aurora. Vê-se logo abaixo uma cópia da primeira página do Arauto da Aurora de julho de 1878, o ano anterior à publicação do primeiro número de A Sentinela. Note a frase no canto inferior à direita: “‘Os tempos dos Gentios’ terminam em 1914”.

 

Esta cópia foi tirada da revista que é mantida no arquivo da sede em Brooklyn, embora não esteja disponível ao uso geral. Sua existência lá mostra que algumas pessoas do pessoal da sede devem ter tido conhecimento de que a revista A Sentinela não foi evidentemente a primeira a publicar e a defender a data de 1914 como o fim dos tempos dos gentios. Esse ensino foi na verdade adotado da publicação do Segundo Adventismo de N. H. Barbour.

Pode-se observar também que, nessa época, julho de 1878, C. T. Russell havia-se tornado “editor assistente” desta revista do Segundo Adventismo, o Arauto da Aurora. O próprio Russell explica como ele veio a associar-se a N. H. Barbour e como veio a adotar a cronologia de Barbour, cuja maior parte inclui os “sete tempos” de Daniel capítulo quatro, que Barbour tinha, por sua vez, adotado de John Aquila Brown.

 

A explicação de Russell acha-se publicada no número de A Sentinela de 15 de julho de 1906:

 

"Foi por volta de janeiro de 1876 que o tema do tempo profético me chamou especialmente a atenção, no que se relaciona a estas doutrinas e esperanças. Aconteceu deste modo: Recebi um periódico chamado O Arauto da Aurora, enviado por seu editor, sr. N. H. Barbour. Quando o abri, identifiquei-o de imediato pela gravura em sua capa com o Adventismo e examinei-o com certa curiosidade para ver que data eles estabeleceriam em seguida para a queima do mundo. Mas, imaginem minha surpresa e alegria quando descobri, pelo seu conteúdo, que o editor estava começando a abrir os olhos para temas que, por alguns anos, haviam proporcionado grande regozijo aos nossos corações aqui em Allegheny — que o objetivo da volta do nosso Senhor não é destruir, mas abençoar todas as famílias da terra, e que a sua vinda seria como um ladrão, e não na carne, mas como um ser espiritual, invisível aos homens; e que o ajuntamento da sua igreja e a separação do “trigo” do “joio” prosseguiria no fim desta era sem que o mundo estivesse consciente disso.

Regozijei-me em descobrir que outros estavam chegando à mesma posição avançada, mas fiquei espantado em encontrar a declaração expressa com muita cautela de que o editor acreditava nas profecias que indicavam que o Senhor já estava presente no mundo (fora da vista, portanto, invisível), e que já estava no tempo da obra da colheita do trigo, — e que este entendimento era corroborado pelas profecias relativas ao tempo, as quais, apenas uns poucos meses atrás, ele supunha terem falhado.

Eis aqui um novo raciocínio: Seria possível que as profecias relativas ao tempo, que eu havia desprezado por tanto tempo, por causa do seu mau uso pelos Adventistas, pretendiam realmente indicar quando o Senhor estaria invisivelmente presente para estabelecer seu reino — algo que eu entendia claramente que não podia ser percebido de nenhuma outra maneira? Parecia, falando sem exagero, uma coisa razoável, muito razoável, esperar que o Senhor informasse seu povo sobre o assunto — especialmente por ter ele prometido que o fiel não haveria de ser abandonado na escuridão do mundo, e que, embora o dia do Senhor viesse como um ladrão de noite sobre todos os demais (furtivamente, sem avisar), não haveria de ser assim com os santos vigilantes e zelosos. — 1 Tessalonicenses 5:4.

Recordo certos argumentos usados por meu amigo Jonas Wendell e por outros Adventistas para provar que 1873 testemunharia a queima do mundo, etc. — a cronologia do mundo indicando que os seis mil anos desde Adão terminaram com o início de 1873 — e outros argumentos tirados das Escrituras que se supunha coincidir. Seria possível que estes argumentos relativos ao tempo, os quais eu havia desconsiderado como não merecendo atenção, contivessem realmente uma verdade importante que eles haviam aplicado erroneamente?”

 

Observe que, até esta ocasião, Russell afirma que não dava nenhuma importância a profecias relativas ao tempo, que as tinha, na verdade, “desprezado”. Que fez ele então?

 

"Ansioso por aprender, de qualquer fonte, o que quer que Deus tivesse a ensinar, escrevi imediatamente ao sr. Barbour, informando-o sobre minha concordância com outros pontos e desejando saber particularmente por que e com base em que evidências bíblicas sustentava ele que a presença de Cristo e a colheita da era evangélica datava a partir do outono de 1874. A resposta mostrou que a minha suposição estivera correta, isto é, que os argumentos relativos ao tempo, cronologia, etc., eram os mesmos que os usados pelos Segundos Adventistas em 1873, e explicou como o sr. Barbour e o sr. J. H. Paton, de Michigan, um companheiro de trabalho dele, haviam sido Segundos Adventistas ativos até aquela época; e que, com a passagem da data de 1874 sem que o mundo fosse queimado e sem que eles vissem Cristo na carne, ficaram por certo tempo aturdidos. Examinaram as profecias relativas ao tempo que tinham passado aparentemente sem se cumprir e não conseguiram achar nenhuma falha, e começaram a perguntar-se se o tempo estava correto mas suas expectativas erradas, — se os conceitos do restabelecimento e bênção para o mundo, que eu mesmo e outros estávamos pregando, eram as coisas que se devia esperar. Parece que, não muito tempo depois do desapontamento deles quanto a 1874, um leitor do Arauto da Aurora, que possuía um exemplar da Diaglott, notou algo nele que lhe chamou a atenção, — que em Mateus 24:27, 37, 39, a palavra que em nossa versão comum é vertida por vinda, era traduzida presença. Esta era a chave. E, seguindo-se a isso, o tempo profético levou-os a conceitos corretos com relação ao objetivo e o modo da volta do Senhor. Eu, pelo contrário, fui levado desde o início a conceitos apropriados quanto ao objetivo e o modo da volta do nosso Senhor e, em seguida, ao exame do tempo para estas coisas, indicados na Palavra de Deus. Desse modo, Deus guia muitas vezes seus filhos a partir de diferentes pontos de verdade; mas quando o coração é sincero e confiante, o resultado deve ser o ajuntamento de todos esses.

Não havia, porém, nenhum livro ou outra publicação que apresentasse as profecias relativas ao tempo como eram então entendidas, de maneira que custeei as despesas do sr. Barbour para que viesse ver-me em Filadélfia (onde eu tinha alguns compromissos de negócios durante o verão de 1876), a fim de mostrar-me cabal e biblicamente, caso pudesse, que as profecias indicavam 1874 como a data em que a presença do Senhor e a ‘colheita’ começaram. Ele veio e eu fiquei convencido da evidência. Sendo um pessoa de firmes convicções e plenamente dedicado ao Senhor, vi imediatamente que os tempos especiais em que vivemos têm uma importância significativa sobre a nossa obrigação e trabalho como discípulos de Cristo; que estando nós no tempo da colheita, o trabalho de colheita teria de ser realizado; e essa verdade presente era a foice pela qual o Senhor nos levaria a efetuar um ajuntamento e uma obra de colheita por toda a parte, entre seus filhos".

 

Assim, a visita do Segundo Adventista, N. H. Barbour, mudou as idéias de Russell sobre as profecias relativas a datas. Russell tornou-se editor assistente da revista de Barbour, o Arauto da Aurora. Deste tempo em diante, as profecias relativas ao tempo constituíram um aspecto destacado dos escritos de Russell e da revista A Sentinela que ele logo depois fundou.5

A interpretação dos “sete tempos” e a data de 1914, que Russell assimilou, estavam totalmente associados a data de 1874, havendo recebido importância primária por parte de Barbour e de seus adeptos (1914 ainda estava décadas no futuro, enquanto 1874 acabava de passar). Eles acreditavam que 1874 marcava o fim de 6.000 anos de história humana e esperavam a volta de Cristo naquele ano. Quando o ano passou e nada aconteceu, sentiram-se desiludidos. Como mostra a matéria citada anteriormente, um Segundo Adventista, que contribuía para a revista de Barbour, chamado B. W. Keith, notou mais adiante que certa tradução do Novo Testamento, The Emphatic Diaglott, usou a palavra “presença” em vez de “vinda” nos textos relacionados com volta de Cristo. Keith propôs a Barbour a idéia de que Cristo havia de fato retornado em 1874, porém invisivelmente, e de que Cristo estava agora invisivelmente “presente”, completando a obra de julgamento.

Uma “presença invisível” é uma coisa muito difícil para se contra-argumentar ou refutar. É algo semelhante a ter um amigo que lhe confessa receber a visita invisível e o conforto de um parente falecido e tentar provar então para esse amigo que não é realmente assim.

O conceito da “presença invisível” facultava, portanto, a estes Segundos Adventistas associados com Barbour dizerem que haviam tido, afinal, “a data certa [1874], mas haviam simplesmente esperado a coisa errada nessa data.”6 Essa explicação foi também aceita e adotada por Russell.

 

 

5    Foi depois da reunião com Barbour que Russell escreveu um artigo no The Bible Examiner (Examinador da Bíblia), publicada por George Storrs, outro adventista, no qual Russell apresentou a data 1914 a que Barbour havia chegado. Como tantas revistas dos Segundos Adventistas, a revista a que Russell deu início, incluía o termo Herald (Arauto) em seu título, Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo (presença de Cristo que se acreditava ter iniciado em 1874).

6     A Sentinela de 15 de julho de 1906, anteriormente citada, mostra que eles fizeram realmente uso desse mesmo argumento.

 

Atualmente, vários milhões de "Testemunhas de Jeová" crêem e ensinam que a presença invisível de Cristo começou em 1914. Muito poucas se dão conta de que, por quase cinqüenta anos, a Sociedade Torre de Vigia anunciou e proclamou, em seu papel de profeta, que tal presença invisível começara em 1874. Tão tardiamente quanto em 1929, quinze anos depois de 1914, elas ainda estavam ensinando isto.7

As "Testemunhas de Jeová" crêem atualmente que Cristo iniciou oficialmente a regência do seu Reino em 1914. A revista A Sentinela ensinou durante décadas que isto acontecera em 1878.8

As "Testemunhas de Jeová" crêem atualmente que, em 1914, começaram também os “últimos dias” e o “tempo do fim”. A revista A Sentinela ensinou durante meio século que os “últimos dias” começaram em 1799 (aceitando a interpretação de George Bell publicada em 1796).

Elas crêem atualmente que a ressurreição dos cristãos ungidos, que morreram do tempo de Cristo em diante, começou a acontecer em 1918. Por mais de quarenta anos, a revista A Sentinela ensinou ter ela começado em 1881.

Sua crença atual é que, desde 1914 e depois dessa data, particularmente de 1919 em diante, está em andamento a grande obra da “colheita”, que deve chegar ao clímax com a destruição do atual sistema e de todos aqueles que não se mostraram sensíveis à sua atividade de pregação. Desde seu início, a revista A Sentinela tinha ensinado que, em vez disso, a “colheita” se estenderia de 1874 a 1914, e que, por volta de 1914, ocorreria a destruição de todas as instituições humanas deste mundo.

A organização coloca hoje a queda de “Babilônia, a Grande” (o “império mundial da religião falsa”) em 1919. Durante pelo menos nenhum indício de que continuou sendo ensinada depois de 1914.

 

 

 

7     Veja o livro Profecia (em inglês), publicado em 1929, páginas 64, 65. A Sentinela de 15 de fevereiro de 1975, páginas 122, 123, faz menção desta crença, mas não dá quatro décadas, A Sentinela a situava em 1878, com a completa destruição de Babilônia esperada para 1914 ou 1918.

8     Este entendimento começou a ser mudado em 1922, no congresso de Cedar Point, oito anos depois de 1914.

 

O que provocou a mudança em todos estes ensinos proféticos importantes aceitos durante tantas décadas e por tanta gente?

Foi o mesmo que se deu no caso de toda a longa série de predições do século 13 em diante — a falta de cumprimento de suas expectativas anunciadas.

Alguns talvez estejam inclinados a não levar isto a sério, encarando-a como se fosse uma mera afirmação. Afinal de contas, quase nenhuma das Testemunhas tem acesso atualmente aos números mais antigos de A Sentinela, e mesmo hoje, quando se discute a história passada da organização, as publicações da Sociedade ignoram ou apresentam uma visão parcial, às vezes alterada, destes ensinos advogados por tanto tempo. Não dão a mínima idéia do fervor e da confiança com que se promoviam estes entendimentos.

Considere então uma parte da evidência tirada do “histórico oficial” desta organização que professa exercer o papel de profeta dos tempos modernos.

Ao rever os números mais antigos da revista A Sentinela, de 1879 em diante, um aspecto notável é que estavam esperando que acontecessem coisas grandiosas bem naquele momento. Embora cressem que 1914 marcaria o fim dos “tempos dos gentios”, essa data tinha relativamente pouca influência sobre seu pensamento. Estavam pensando muito mais em 1874 e na crença de que Cristo tinha começado nessa ocasião sua presença invisível, introduzindo, daí em diante, o governo do seu Reino. Assim, esperavam passar muito em breve pela experiência da transferência para a vida celestial. Com isto, seria encerrada a oportunidade de chegarem a fazer parte da “noiva de Cristo”. Também esperavam que, muito antes de 1914, o mundo entraria num período de grande aflição, que se agravaria e evoluiria para um estado de caos e anarquia. Por volta de 1914, estaria tudo terminado, acabado, e Yaohushua hol'Mehushkháy teria assumido o pleno controle dos assuntos da terra, com a substituição completa de todo os sistemas humanos de governo pelo seu Reino.

Isto é bem ilustrado pela seguinte matéria tirada do número de janeiro de 1881 de A Sentinela, sendo certos pontos sublinhados aqui para conveniência do leitor:

"Vemos também que, não somente a colheita da era judaica e a do evangelho formam um paralelo no ponto inicial, mas também no período de duração; a deles sendo ao todo quarenta anos, desde o tempo da unção de Yaohushua [no início de sua colheita, 30 A.D.] até a destruição de Jerusalém, em 70 A.D. Portanto, a nossa, tendo começado em 1874, termina com o fim do “dia da ira” e com o fim dos “tempos dos gentios” em 1914 — um período similar e correspondente de quarenta anos. Os primeiros sete anos da colheita judaica eram especialmente dedicados ao ajuntamento do trigo maduro dessa igreja; dos quais, três anos e meio se deram enquanto ele estava presente como o Noivo e os outros três anos e meio foram depois de ele ter vindo a eles como rei e sido glorificado, embora estivesse tudo sob sua supervisão e direção.

Conforme fora dito por João, ele limpou sua eira, recolheu seu trigo e queimou a palha. Portanto, eis aqui o paralelo se cumprindo: Encontramos [conforme demonstrado anteriormente — veja “A Aurora do Dia”] a lei e os profetas declarando-o presente na culminação dos “ciclos do Jubileu”, em 1874. E os paralelos nos mostram que começou então a colheita, e que o recolhimento da noiva para um lugar de segurança levará um tempo correspondente de sete anos, terminando em 1881. Mas, como, quando e por que a tropeçaram sobre Cristo “os servos da casa”? Se pudéssemos certificar-nos disto, conseguiríamos um indício de como, quando e por que tropeça a casa do evangelho, especialmente em vista do fato de que, em muitos aspectos, a obra final daquela era é o modelo exato desta.

——————————

Cremos que Cristo está agora presente, no sentido de ter começado a obra de tomar para si seu grande poder e domínio. A obra começou com a separação do joio do trigo na igreja vivente e na associação do trigo de todas as eras consigo mesmo na autoridade de seu reino. “Àquele que vencer, concederei sentar-se comigo no meu trono,” e “dar-lhe-ei autoridade sobre todas as nações”, para continuar até que todas as coisas sejam subjugadas sob ele. Parece apropriado, também, que a obra deveria começar assim, por tomar a sua noiva e os dois se tornarem um".

 

A verdadeira data-base para A Sentinela nessa época era claramente 1874. A partir dessa data, Cristo estava presente. Nos próximos quarenta anos, ele concluiria toda a sua obra de colheita. Por acreditarem nisto, achava-se que eventos dramáticos deveriam ocorrer mui rapidamente, talvez naquele mesmo ano de 1881, conforme argumentado no artigo adicional com o título “Por Quanto Tempo, Ó Senhor?” Observe estes pontos:

 

"Esta é, sem dúvida, uma questão que muitos têm se perguntado, a saber: ‘Quão cedo virá a nossa mudança?’ Muitos de nós têm aguardado esta mudança por anos e, ainda com maior alegria, imaginamos o tempo em que nos juntaremos a Yaohushua e o veremos como ele é. No artigo concernente à nossa mudança, no periódico de dezembro, expressamos a opinião de que estava mais próxima do que muitos supunham e, enquanto não tentássemos provar que a nossa mudança se daria em algum tempo específico, mesmo assim, propomos que olhemos para as evidências que parecem indicar que a trasladação ou mudança da condição natural para a espiritual deverá ocorrer antes ou por volta do outono do nosso ano de 1881. A evidência de que a nossa mudança se dará por volta desse tempo aumenta, já que temos visto que a transformação em corpos espirituais não é o casamento. Enquanto pensávamos que o casamento fosse a mudança e sabendo que havia, desde 1978, três anos e meio de favor especial para a igreja nominal (deixada agora desolada), não podíamos esperar nenhuma trasladação antes de 1881 ou durante estes três anos e meio. Mas, uma vez que reconhecemos que ser admitido em casamento não significa apenas estar pronto para mudança (por reconhecer sua presença), mas também que essa admissão inclui a própria mudança, então as evidências de que entramos (ou seremos mudados) dentro do tempo mencionado são fortes e se apresentam a todos os interessados como dignas de investigação. À parte de qualquer prova direta de que a nossa mudança está próxima, o fato de que a maneira da mudança pode agora ser entendida é evidência de que estamos próximos do tempo da mudança, pois a verdade é “alimento no tempo devido” e só é entendida quando esse tempo chega. Será relembrado que, depois da primavera de 1878 (quando entendíamos que Yaohushua deveria aparecer como Rei), o tema da santidade ou das vestes de casamento estava muito agitado. E, à parte do paralelo em relação à era judaica e do favor que se demonstrava naquela época à nação judaica, o que implicava na presença do Rei, a consideração das vestes de casamento era também prova da exatidão da aplicação, pois “o Rei havia entrado para ver os convidados,” [Mat. xxii, 11] e todos estavam, portanto, interessados em saber como se encontravam diante dele. Ora, como a inspeção dos convidados é a última coisa que antecede à nossa mudança, a qual vem antes do casamento e estamos todos dando consideração agora à mudança, parece que o tempo dela está próximo. Apresentaremos agora o que mencionamos através dos modelos e pontos proféticos como parecendo indicar que a trasladação dos santos e o fechamento da porta à chamada de cima se darão por volta de 1881".

 

Seguiu-se argumentação detalhada, com ênfase no outono de 1881 como o tempo provável de sua mudança para vida celestial e da ocasião “em que a porta — a oportunidade de vir a ser membro da noiva — se fechará”. Isto seria 35 anos antes de 1914, o que, para eles, era apenas um ponto final, o tempo durante o qual todas as coisas se acabariam.

 

NOTA DE O CAMINHO: Para o Adventismo, diga-se IASD, isto ocorrera nos Sete (7) Anos subsequentes à 1844 com a consequente Volta do Messias... Posteriormente adotaram o ano de 1875 como sendo esta volta...

 

A expectativa de que os cristãos ungidos da “classe da Noiva” passariam por uma transição para a vida celestial pelo outono de 1881, obviamente, não se materializou. À medida que os anos se passavam, o período considerado começou a prolongar-se e 1914 começou a receber uma ênfase um tanto maior. Todavia, ainda era o ponto terminal, quando a eliminação dos reinos terrestres e a destruição da “cristandade nominal” haveriam de se completar, já que se acreditava que Cristo começara a exercer seu pleno poder do Reino em 1878, conforme demonstrado no livro publicado por Russell em 1889, com o título O Tempo Está Próximo página 239:

 

Tradução:Tem sido exatamente assim nesta colheita: A presença de nosso Senhor como Noivo e Ceifeiro foi reconhecida durante os primeiros três anos e meio, de 1874 A.D. a 1878 A.D. Desde esse tempo, ficou enfaticamente claro que em 1878 A.D. chegou o tempo em que deveria começar o julgamento real da casa de Deus. É aqui que se aplica Rev. 14:14-20, e nosso Senhor tornou-se visível como o Ceifeiro coroado. Sendo o ano 1878 A.D. o paralelo de sua tomada de poder e autoridade no tipo, assinala o tempo claramente para a verdadeira tomada do poder como Rei dos reis pelo nosso presente, espiritual e invisível Senhor — o tempo dele assumir seu grande poder para reinar, o que, na profecia, está intimamente associado à ressurreição de seus fiéis e ao começo da aflição e da ira sobre as nações. (Rev. 11:17, 18)

 

 

 

Mesmo depois da virada do século, nos primeiros anos após 1900, o foco ainda se concentrava sobre 1874 e 1878 como datas-chaves em torno das quais girava todo pensamento. Eles já estavam dentro dos “últimos dias” desde 1799, dentro do período da “colheita” desde 1874, Cristo estivera exercendo seu poder real desde 1878 e a ressurreição havia então começado. O passar dos anos não alterou estas afirmações. Estavam todas relacionadas a eventos invisíveis, diferente da predição acerca da ‘trasladação para o céu dos santos vivos’ esperada em 1881. Sem nenhuma evidência visível para tirar-lhes o crédito, estas afirmações podiam ser, e foram, mantidas.

A três anos de 1914, em 1911, A Sentinela ainda proclamava a importância de 1874, 1878 e 1881. “Babilônia, a Grande” havia caído em 1878 e seu “fim total” viria em outubro de 1914. Foi feito, entretanto, um ‘ajuste’ com relação ao “fechamento da porta” da oportunidade para tornar-se parte da classe do Reino celestial, colocada anteriormente em 1881. Agora os leitores de A Sentinela são informados de que a “porta” ainda “se mantém entreaberta” nesta matéria do número de 15 de junho de 1911:

 

"Observando estes paralelos, encontramos 1874 como o início desta ‘colheita’ e do ajuntamento dos ‘eleitos’ desde os quatro ventos do céu; 1878 como o tempo em que Babilônia foi formalmente rejeitada, Laodicéia foi vomitada — o tempo desde o qual se declara, ‘Caiu, caiu Babilônia’ —, destituída do favor divino. O paralelo em 1881 parece indicar que ainda se mantinham certos favores aos em Babilônia até essa data, não obstante a rejeição do sistema; e, desde essa data, temos entendido que essa relação não tem sido em nenhum sentido vantajosa, mas tem sido, em muitos sentidos da palavra, uma clara desvantagem da qual, somente com dificuldade poderia alguém libertar-se, auxiliado pela graça do Senhor e pela verdade. E, em harmonia com este paralelismo, outubro de 1914 testemunhará o fim total de Babilônia, ‘como uma grande mó lançada no mar’, completamente destruída como sistema.

Voltando atrás: Admitamos que seja razoável concluir que o encerramento dos favores sobre o Israel carnal represente o encerramento do favor especial da era Evangélica, a saber, o convite à chamada de cima; dessa forma, nosso entendimento é que a ‘chamada’ ampla ou geral desta era para as honras do reino cessou em outubro de 1881. Entretanto, como já foi mostrado nos ESTUDOS DAS ESCRITURAS, fazemos a distinção entre o fim da “chamada” e o fechamento da ‘porta’; e cremos que a porta para a classe do reino não está ainda fechada; que se mantém entreaberta por um tempo, a fim de permitir que os que já aceitaram a ‘chamada’ e deixaram de usar seus privilégios e oportunidades, com o sacrifício de si mesmos, sejam expulsos e a fim de permitir que outros entrem e recebam suas coroas, em harmonia com Rev. 3:11. Portanto, o tempo atual, desde 1881 até que a porta para o sacrifício no serviço do Senhor seja completamente fechada, é um período de “peneiramento com respeito a todos os que já estão no favor divino, numa relação pactuada com Deus.”

 

Isso foi escrito em 1911 e a data do desfecho final, 1914, estava agora próxima. Com sua chegada, a colheita estaria terminada, os últimos dias teriam alcançado seu ponto culminante, suas esperanças estariam completamente cumpridas. O que ensinavam exatamente as publicações da Torre de Vigia que aconteceria quando chegasse a data de 1914?

O livro O Tempo Está Próximo, publicado 25 anos antes de 1914, nas páginas 76 a 78, estabelece sete pontos, conforme veremos a seguir:

A fotocópia ao lado omite os pontos 4, 5 e 6. Mas segue-se a tradução de todos os sete pontos:

 

Neste capítulo, apresentamos a evidência bíblica que prova que o término total dos tempos dos gentios, isto é, o término total de sua licença de domínio se vencerá em 1914 A.D.; e que essa data será o limite máximo da regência de homens imperfeitos. E observe-se que, se isso se revela como um fato firmemente estabelecido pelas escrituras, provará

Em primeiro lugar que, nessa data, o Reino de Deus, pelo qual nosso Senhor nos ensinou a orar, dizendo, “Venha o Teu Reino”, terá alcançado o pleno controle universal, e que será então ‘instalado’, ou firmemente estabelecido, na terra.

Em segundo lugar, provará que ele, cujo direito é portanto assumir o domínio, estará então presente como o novo Regente da terra; e não apenas isso, mas provará também que ele há de estar presente por um período considerável antes dessa data; já que a derrubada destes governos gentios é causada diretamente por ele espatifá-los como um vaso de oleiro (Salmos 2:9; Rev. 2:27), e pelo estabelecimento de seu próprio governo justo em substituição a eles.

Em terceiro lugar, provará que, algum tempo antes do fim de 1914 A.D., o último membro da divinamente reconhecida Igreja de Cristo, do ‘sacerdócio real’, do ‘corpo de Cristo’, será glorificado com a Cabeça; já que cada membro deve reinar com Cristo, sendo co-herdeiro com ele no Reino, que não pode ser plenamente ‘instalado’ sem cada membro.

Em quarto lugar, provará que, daquele tempo em diante, Jerusalém não será mais pisoteada pelos gentios, mas se erguerá do pó do desfavor divino para honra, visto que os “tempos dos gentios” terão se cumprido ou completado.

Em quinto lugar provará que, nessa data, ou antes dela, começará a ser retirada a cegueira de Israel, já que a ‘cegueira parcial’ devia continuar somente ‘até que houvesse entrado a plenitude dos gentios’ (Rom. 11:25), ou, em outras palavras, até que o pleno número dentre os gentios, que haveriam de ser membros do corpo ou noiva de Cristo, fossem plenamente selecionados.

Em sexto lugar, provará que o grande ‘tempo de aflição’ tal como nunca houve desde que existe nação”, alcançará seu ponto culminante no reino mundial da anarquia; e os homens aprenderão então a ficar parados e a reconhecer que Jeová é Deus e que ele será exaltado na terra. (Salmo 46:10) A condição das coisas, descrita em linguagem simbólica como ondas agitadas do mar, o derretimento da terra, o nivelamento da montanhas e a queima dos céus, terá se passado e a ‘nova terra e novo céu’, com suas bênçãos de paz começarão a ser reconhecidas pela humanidade abalada pela aflição. Mas o Ungido do Senhor e a sua autoridade legítima e justa serão primeiro reconhecidos pela companhia dos filhos de Deus, enquanto atravessam a grande tribulação — a classe representada por m e t no Plano das Eras (veja também as páginas 235 a 239, Vol. I.); posteriormente, bem no seu final, pelo Israel carnal; e, finalmente, pela humanidade em geral.

Em sétimo lugar, provará que, antes dessa data, o Reino de Deus, organizado em poder, estará na terra, e golpeará e esmagará então a imagem gentia (Dan. 2:34) — consumirá totalmente o poder destes reis. Seu próprio poder e domínio serão estabelecidos tão logo ele esmiúce e pulverize, por suas variadas influências e operações, as ‘potências que são’ — civis e eclesiásticas — ferro e argila.

 

Estas declarações são da edição anterior a 1914. Note como algumas de suas declarações foram ‘ajustadas’ na edição posterior a 1914 (1924).

Conforme pode ser observado na matéria citada, a edição anterior a 1914 diz claramente que 1914 “será o limite máximo da regência de homens imperfeitos”. Disse que, nessa data, o Reino de Deus “terá alcançado o pleno controle universal, e que será então ‘instalado’, ou firmemente estabelecido, na terra”.

A edição posterior a 1914 encobre isto ao dizer:

"Neste capítulo apresentamos a evidência bíblica provando que o término total dos tempos dos gentios, isto é, o término total de sua licença de domínio se vencerá em 1914 A.D.; e que essa data verá a desintegração da regência de homens imperfeitos".

E observe-se que, se isso se revela como um fato firmemente estabelecido pelas escrituras, provará:

"Em primeiro lugar que, nessa data, o Reino de Deus, pelo qual nosso Senhor nos ensinou a orar, dizendo, ‘Venha o Teu Reino’, começará a assumir o controle, e que será pouco depois ‘instalado’, ou firmemente estabelecido na terra, sobre as ruínas das instituições atuais".

No terceiro ponto, a edição anterior a 1914 declarou que, antes do fim em 1914, o último membro do “corpo de Cristo” seria glorificado com a Cabeça. Aqui, também, a edição posterior a 1914 alterou a fraseologia e eliminou qualquer referência ao ano de 1914:

"Em terceiro lugar, provará que, algum tempo antes do fim da derrocada, o último membro da divinamente reconhecida Igreja de Cristo, do ‘sacerdócio real’, do “corpo de Cristo”, será glorificado com a Cabeça; já que cada membro deve reinar com Cristo, sendo co-herdeiro com ele no Reino, que não pode ser plenamente ‘instalado’ sem cada membro.”

Assim, fez-se um esforço visível nas edições posteriores para encobrir os mais óbvios fracassos das declarações mais confiantes feitas com relação a 1914, já que essa data havia passado sem que os eventos preditos acontecessem. Poucas "Testemunhas de Jeová" hoje fazem qualquer idéia da magnitude das pretensões envolvendo esse ano ou do fato de que nenhum dos sete pontos originais sequer se cumpriu como foi declarado. Essas expectativas recebem atualmente apenas menção muito rápida nas publicações da Sociedade; algumas são totalmente ignoradas.9

 

NOTA DE O CAMINHO: Isto não é novidade [manipulação das publicações anteriores]; na IASD o livro Primeiros escritos, foi reeditado para esconder os erros proféticos de EGW, diga-se a profecia da Porta Fechada e, hoje, continuam manipulando para esconder a verdadeira crenças dos pioneiros [eram monoteístas, como Russell].

 

De fato, ao ler as recentes publicações da Sociedade, alguém pode chegar talvez à conclusão de que Russell, o presidente da Torre de Vigia, não falou especificamente sobre o que 1914 traria exatamente. Essas insinuam que qualquer expectativa exagerada ou afirmação dogmática era da responsabilidade dos outros, os leitores. Um exemplo disto se encontra na história oficial, As "Testemunhas de Jeová" no Propósito Divino (em inglês), página 52:

"Não há dúvida de que muitos, durante este período, eram excessivamente entusiásticos em suas declarações quanto ao que se podia esperar. Alguns liam as declarações de A Sentinela como dizendo o que jamais pretenderam dizer e, ao passo que era necessário para Russell chamar a atenção para a certeza de que estava prevista uma grande mudança no fim dos tempos dos gentios, ele ainda encorajava seus leitores a manterem a mente aberta, especialmente quanto ao elemento de tempo".

 

O livro cita trechos de revistas A Sentinela mas estes, ao serem examinados, simplesmente não apóiam a declaração apresentada. O único que trata especificamente de um “elemento de tempo” específico é tirado de A Sentinela de 1893, que diz:

"Uma grande tempestade está próxima. Apesar de ninguém saber exatamente quando ela irromperá, parece razoável supor que não pode ser mais que doze ou catorze anos ainda no futuro".

 

9                     Do mesmo modo, também, com as afirmações feitas acerca dos anos 1878 e 1881, as quais, juntamente com aquelas envolvendo 1799 e 1874, foram todas eventualmente descartadas como errôneas.

 

Isto não contribui em nada para provar a asserção feita; simplesmente confirma o que é mostrado por outros escritos de Russell, isto é, que ele definitivamente esperava que rebentasse uma calamidade mundial antes da chegada de 1914, não mais tarde que 1905 ou 1907, de acordo com a matéria citada, e que esta deflagração levaria à eventual destruição de todos os governantes da terra nessa data final.

O livro As "Testemunhas de Jeová" no Propósito Divino (página 53) cita a declaração de Russell em A Sentinela de 1912, conforme segue:

 

"Há certamente espaço para ligeiras diferenças de ponto de vista sobre este assunto e isso nos leva a conceder um ao outro a mais ampla latitude. A permissão de poder aos gentios pode terminar em outubro de 1914 ou em outubro de 1915. E o período de intensa luta e anarquia “tal como nunca existiu desde que há nação” pode ser o fim conclusivo dos tempos dos gentios ou o começo do reinado do Messias".

 

Porém, alertamos mais uma vez a todos os nossos leitores que não profetizamos nada sobre os tempos dos gentios acabarem em um tempo de calamidade, nem sobre a época gloriosa que seguirá imediatamente depois da catástrofe. Simplesmente destacamos o que dizem as Escrituras, expressando nossas opiniões com respeito a seu significado e instando com nossos leitores a que julguem, cada um por si mesmo, o significado delas. Estas profecias ainda querem dizer a mesma coisa para nós... Por mais que alguns possam fazer afirmações categóricas do que sabem, e do que não sabem, nós nunca nos entregamos a isto; porém, simplesmente asseveramos que cremos dessa e daquela maneira, por tais e tais razões.

Este é, portanto, o quadro que a organização procura transmitir. Compare-o com outras declarações apresentadas na revista A Sentinela e demais publicações, declarações sobre as quais as publicações da Sociedade não fazem atualmente a menor referência. Pergunte-se se é verdade que a responsabilidade por quaisquer afirmações dogmáticas recai fora da Sociedade, que, em vez disso, recai sobre aqueles que “lêem” nas publicações uma certeza jamais intencionada, particularmente com relação ao que 1914 haveria de trazer.

 

Extraído de O Tempo Está Próximo, publicado em 1889, páginas 98 e 99, lemos o seguinte:

 

Tradução:

Na verdade, é esperar grandes coisas afirmar, como o fazemos, que dentro dos próximos 26 anos, todos os atuais governos serão derrubados e dissolvidos; porém, estamos vivendo em um tempo especial e peculiar, ‘O Dia de Jeová,’ no qual os assuntos chegarão a uma conclusão rápida; e está escrito, ‘O Senhor realizará uma obra curta sobre toda a terra.’“ (Veja Vol. I., cap. xv.)

————————

Em vista da forte evidência bíblica concernente aos tempos dos gentios, consideramos uma verdade estabelecida que o final definitivo dos reinos deste mundo e o pleno estabelecimento do Reino de Deus estarão realizados pelo fim de 1914 A.D. Nessa ocasião, a oração da Igreja, desde quando seu Senhor empreendeu sua partida _ “Venha o Teu Reino” _ , será respondida; e sob essa administração sábia e justa, a terra inteira se encherá da glória do Senhor _ com conhecimento, justiça e paz (Salmo 72:19; Isa. 6:3; Hab. 2:14); e a vontade de Deus será feita “na terra, como é feita no céu”.

 

Se você disser, não simplesmente que alguma coisa é verdadeira, mas que a considera uma “verdade estabelecida”, não é isso o mesmo que dizer que sabe que é assim? Não é isso ‘entregar-se a afirmações categóricas’? Se existe alguma diferença, quão grande é esta diferença?

 

Na mesma publicação, na página 101, aparece esta declaração:

“Não se surpreendam, pois, se apresentamos, nos capítulos seguintes, provas de que o estabelecimento do Reino de Deus já começou, que está destacado na profecia como devendo começar a exercer o poder em 1878 A.D., e que a ‘batalha do grande dia do Deus, o Todo-poderoso’ (Rev. 16:14), que terminará em 1914 A.D. com a completa destruição do atual domínio da terra, já foi iniciada. O ajuntamento dos exércitos está claramente visível do ponto de vista da Palavra de Deus.

Se a nossa visão não ficar obstruída pelo preconceito, quando conseguimos ajustar corretamente o telescópio da Palavra de Deus, podemos ver com clareza o caráter de muitos dos eventos que devem ocorrer no ‘Dia do Senhor’ _ de que estamos bem no meio desses eventos, e que chegou ‘o Grande Dia de Sua Ira".

 

Dois anos depois de ter-se publicado este livro, publicou-se outro livro de Russell, Venha o Teu Reino (em inglês), em 1891 e, na página 153, encontramos o seguinte:

Tradução: 

"A predita queda, pragas, destruição, etc., que sobreviriam à mística Babilônia, foram prefiguradas pela grande angústia e destruição nacional que sobrevieram ao Israel carnal, e que terminou com a completa destruição da nação em 70 A.D. E o período da queda tem também uma correspondência; visto que, desde o tempo em que nosso Senhor disse, ‘Vossa casa vos fica abandonada’, de 33 A.D. a 70 A.D. são 36 anos e meio; e, do mesmo modo, de 1878 A.D. ao fim de 1914 A.D. são 36 anos e meio. E com o fim de 1914, aquilo que Deus chama de Babilônia e os homens chamam de cristandade, terá passado, conforme já está demonstrado pela profecia".

 

No ano seguinte, 1892, no número de 15 de janeiro, A Sentinela dizia que a “batalha” final já havia começado, devendo seu fim ocorrer em 1914:

"Enquanto era uma surpresa agradável para nós (em vista dos relatos sensacionais e hostis que se publicam com tanta freqüência), achar a situação na Europa, como a descrevemos aqui — de acordo com o que as Escrituras nos haviam induzido a esperar —, ainda assim, tão grande é nossa confiança na Palavra de Deus e na luz da verdade atual que brilha sobre ela, que não poderíamos ter duvidado de seu testemunho, quaisquer que fossem as aparências. A data do encerramento dessa “batalha” está definitivamente marcada nas Escrituras como sendo outubro de 1914. Ela já está em andamento, datando seu início de outubro de 1874. Até agora, tem sido principalmente uma batalha de palavras e um tempo para organização de forças – capital, trabalho, exércitos e sociedades secretas.

Nunca houve um tempo em que se formaram tantas coligações como no presente. As nações não estão apenas se aliando umas às outras para proteger-se contra outras nações, mas as várias facções dentro de cada nação estão se organizando para proteger seus diversos interesses. Mas, por enquanto, as várias facções estão simplesmente estudando a situação, examinando a força de seus adversários e procurando aperfeiçoar seus planos e poder para a luta futura, que muitos, sem o testemunho da Bíblia, parecem convencer-se de que é inevitável. Outros ainda se iludem dizendo, Paz! Paz! quando não há nenhuma possibilidade de paz até que o reino de Deus assuma o controle, compelindo-os a que se faça sua vontade na terra como é feita agora no céu.

Este aspecto da batalha deve continuar com variável sucesso para todos os envolvidos; a organização deve ser muito cabal; e a luta final será comparativamente curta, terrível e decisiva _ resultando em anarquia geral. Em muitos sentidos, as convicções dos grandes generais do mundo coincidem com as predições da Palavra de Deus. Então, ‘Ai do homem ou nação que der início a próxima guerra na Europa; pois .’. Esta será induzida não apenas por animosidades nacionais, mas também por ressentimentos, ambições e animosidades sociais e, caso não seja levada a um fim pelo estabelecimento do reino de Deus nas mãos de seu eleito e da então glorificada Igreja, a espécie seria exterminada. _ Mateus 24:12".

 

Este pequeno artigo que aparece em A Sentinela de julho de 1894 revela o quanto eles viam as condições mundiais daquele tempo como prova clara de que o mundo estava então prestes a entrar em suas ânsias finais, com seu último suspiro ocorrendo em 1914:

Tradução:

 

PODE SER ADIADO ATÉ 1914?

Dezessete anos atrás as pessoas diziam, com relação aos detalhes cronológicos apresentados na AURORA DO MILÊNIO: Parecem razoáveis em muitos aspectos, mas certamente não ocorrerão mudanças radicais entre o momento atual e o final de 1914; se vocês tivessem provado que aconteceriam dentro um século ou dois, isso pareceria muito mais provável.

Que mudanças têm ocorrido desde então e que velocidade está se alcançando diariamente?

“O velho está passando rapidamente e o novo está chegando.” Agora, em vista dos recentes problemas trabalhistas e da ameaça d anarquia, nossos leitores estão escrevendo para saber se não deve haver algum erro na data de 1914. Eles dizem que não vêem como as condições atuais podem agüentar tanto tempo sob tensão.

Não vemos nenhum motivo para mudarmos os números — nem poderíamos mudá-los se quiséssemos. Eles são, acreditamos, datas de Deus, não nossas. Mas, tenham em mente que o fim de 1914 não é a data para o início, mas para o fim do tempo de aflição".

 

Não vemos motivo algum para alterarmos nossa opinião expressa na visão apresentada em A Torre de Vigia de 15 de janeiro de 1892. Aconselhamos que a leiam novamente.

É verdade que se usa aqui a palavra “opinião”, mas quão significativo isto é quando, ao mesmo tempo, se inclui Deus no quadro como apoiando as datas anunciadas? Quem estaria inclinado a duvidar das “datas de Deus”?

Atualmente, a organização diria que estes assuntos são todos superficiais, de somenos importância quando comparados ao que costumam apresentar como uma verdade maior, a saber, que a Sociedade estava certa sobre o “fim dos tempos dos gentios” como ocorrendo em 1914, a única crença inicial com relação a 1914 que ainda permanece. Mas, ao dizerem isto, eles cometem provavelmente o maior ato de representação falsa de todos. Pois o fato é que tudo o que se reteve foi a expressão: “o fim dos tempos dos gentios”. O significado atribuído à expressão é totalmente diferente do significado a ela atribuído pela Sociedade Torre de Vigia durante os quarenta anos que vão até 1914.

Durante todos aqueles quarenta anos, os associados à Sociedade Torre de Vigia entendiam que o “fim dos tempos dos gentios” significaria a derrubada completa de todos os governos terrenos, sua total destruição e substituição pela regência de toda a terra pelo reino de Cristo. Não restaria nenhuma regência humana. Recordem a declaração nas páginas 98 e 99 do livro O Tempo Está Próximo, dizendo que “dentro dos próximos 26 anos [a partir de 1889], todos os atuais governos serão derrubados e dissolvidos.” Que, “Em vista da forte evidência bíblica concernente aos tempos dos gentios, consideramos uma verdade estabelecida que o final definitivo dos reinos deste mundo e o pleno estabelecimento do Reino de Deus estarão realizados pelo fim de 1914 A.D.”

Atualmente, o significado atribuído à expressão “fim dos tempos dos gentios” (ou “os tempos designados das nações”) é completamente diferente. Não é o fim real do domínio dos governos humanos como resultado de sua destruição por Cristo. Diz-se agora que é o fim de sua “regência ininterrupta” da terra, sendo a interrupção o resultado de haver Cristo assumido invisivelmente o poder e começado a reinar em 1914 e a dirigir sua atenção de um ‘modo especial’ para a terra, (o que é, na verdade, aquilo que fora ensinado anteriormente quanto ao ano de 1874).

Já que, mais uma vez, é no domínio invisível que se diz que isto ocorreu, é difícil argumentar contra tal teoria. O fato de que nada mudou absolutamente desde 1914 com relação ao domínio da terra pelos governos terrenos não parece ser visto como de alguma conseqüência. A “licença” deles expirou, diz-se agora, estando invisivelmente cancelada pelo Rei invisível, e, dessa forma, veio o “fim” do seu tempo designado.

Tudo isto é comparável a proclamar-se durante quarenta anos que, numa certa data, o ocupante indesejável de uma propriedade seria completamente expulso, removido para sempre, e então, quando a data vem e se vai e o ocupante ainda continua lá como sempre, aparecer então com uma explicação evasiva dizendo: “Bem, eu cancelei sua licença e, no que me diz respeito, é como se ele tivesse ido embora. E, além do mais, agora estou vigiando as coisas mais de perto”.

Reconhecidamente, quanto mais se aproximava 1914, mais cautelosas se tornavam as previsões. Ao passo que Russell havia argumentado que a tempestade de aflição e a anarquia universal ocorreriam antes de outubro de 1914, mais tarde, em um número de 1904 da revista, ele disse:

 

Tradução:

ANARQUIA UNIVERSAL — POUCO ANTES OU DEPOIS DE OUTUBRO DE 1914 A.D.

O que parece ser à primeira vista a coisa mais trivial e totalmente desvinculada do assunto, mudou nossa convicção com respeito ao tempo de quando pode ser esperada a anarquia universal, segundo os números proféticos. Agora, esperamos que o clímax anárquico do grande tempo de aflição, que precederá as bênçãos do Milênio ocorrerá depois de outubro de 1914, A.D. — bem imediatamente depois, em nossa opinião — “em uma hora”, “repentinamente”.10

 

E, enquanto ele havia afirmado em 1894 que os cálculos expostos eram “datas de Deus, não nossas”, em A Sentinela de 1º de outubro de 1907, sete anos antes de 1914, disse ele então:

Um querido irmão pergunta: Podemos nos sentir absolutamente seguros de que é correta a cronologia apresentada nos ESTUDOS DA AURORA DO MILÊNIO? — de que a colheita começou em 1874 A.D. e findará em 1914 A.D. numa calamidade de amplitude mundial, que eliminará todas as instituições atuais e será seguida pelo reino de justiça do Rei da Glória e de sua noiva, a igreja?

Respondemos, como o temos freqüentemente feito antes nas AURORAS e SENTINELAS, oralmente e por carta, que nós nunca afirmamos que nossos cálculos fossem infalivelmente corretos; nós nunca afirmamos que fossem conhecimento, nem baseados em evidência incontestável, fatos, conhecimento; a nossa afirmação tem sido sempre que eles se baseiam na fé.

 

10 A Torre de Vigia de 1º de julho de 1904.

 

Este mesmo artigo continua, entretanto, a dar a entender que os que duvidam desses cálculos são carentes de fé. Diz ele:

“Lembrem-se mais uma vez de que os pontos fracos da cronologia são suplementados pelas várias profecias que se entrelaçam com ela de maneira tão notável que a fé na cronologia se torna quase conhecimento de que é correta. A mudança de um único ano tiraria a harmonia das belas correspondências; já que algumas profecias são contadas a partir de A.C., algumas a partir de A.D., e algumas dependem de ambos os períodos. Cremos que Deus pretendia que essas profecias fossem compreendidas ‘no tempo devido’; cremos que as compreendemos agora — que elas nos falam através desta cronologia. Não selam elas desse modo a cronologia? Selam com respeito à fé, mas não independente dela. Nosso Senhor declarou, “O sábio entenderá”; e ele nos diz “Vigiai” para que possamos conhecer; e é esta cronologia que nos convence (a qual podemos aceitar e realmente a aceitamos pela fé) de que a Parábola das Dez Virgens está agora em processo de cumprimento — que ouviu-se seu primeiro grito em 1844 e que seu segundo grito, ‘Eis aqui o Noivo’ — presente — se deu em 1874.

Quão proveitoso é — ou, quanto a isso, quanta humildade demonstra — reconhecer própria falibilidade enquanto se dá a entender, ao mesmo tempo, que somente aqueles que aceitam os seus pontos de vista estão demonstrando fé, estão entre os sábios que entenderão’? Não estariam aqueles que deixaram de atender a estes “gritos” de 1844 e 1874 classificados logicamente como as “virgens tolas” da parábola?".

 

O mesmo artigo havia dito anteriormente:

"Os tempos e as épocas de Deus são dados de tal maneira como sendo convincentes somente àqueles que, pela intimidade com Deus, são capazes de reconhecer seus métodos característicos".

Desse modo, se alguém expressasse dúvidas quanto à cronologia da Sociedade, colocava-se sutilmente em dúvida a própria qualidade de sua relação com Deus — juntamente com sua fé e sua sabedoria. Esta é uma forma de intimidação intelectual, uma prática que aumentou de múltiplas maneiras, uma vez que o ano de 1914 havia se passado sem que se cumprissem as expectativas publicadas mundialmente.

 

 

CAP 9 - 1975: ‘O TEMPO APROPRIADO PARA DEUS AGIR’

 

É YAOHU’ABI quem determina os tempos, respondeu, e não vos compete conhecê-los. Atos 1:7, ESN

 

DURANTE a segunda metade da presidência de Rutherford, a maioria das profecias relacionadas com datas mais antigas, defendidas tão energicamente na primeira metade, foram gradualmente abandonadas ou remanejadas.

O início dos “últimos dias” foi mudado de 1799 para 1914. A presença de Cristo em 1874 foi também mudada para 1914 (como já havia sido feito em 1922 com o início oficial da regência ativa do Reino de Cristo). O começo da ressurreição foi mudado de 1878 para 1918.

Por algum tempo, afirmava-se até que 1914 havia de fato ocasionado o “fim do mundo” no sentido de que Deus havia encerrado ‘legalmente’ a concessão de domínio das nações mundanas sobre a terra. Isto foi também abandonado e o “fim” ou a “terminação do sistema de coisas” (conforme a versão da Tradução do Novo Mundo) é agora considerado como estando no futuro.

A organização pretende crer que os acontecimentos alistados tiveram cumprimento nos novos anos selecionados, mas como se trata inteiramente de cumprimentos invisíveis, é obvio que a aceitação de tais eventos depende inteiramente da fé da pessoa nas interpretações apresentadas. Depois de uma reunião do Corpo Governante, em que se suscitou a discussão destas profecias e as mudanças em suas datas, Bill Jackson me disse sorrindo: “Costumávamos dizer, você simplesmente retira a data deste ombro e a passa para o outro”.

Foi somente depois da morte de Rutherford em 1942 que foi feita a mudança com respeito ao ano 606 A.E.C. como o ponto inicial dos 2.520 anos. Curiosamente, o fato de que os 2.520 anos a contar de 606 A.E.C. levavam na realidade a 1915 E.C., e não a 1914 E.C., não foi reconhecido ou considerado por mais de 60 anos.

Então, discretamente, o ponto inicial retrocedeu em um ano para 607 A.E.C., permitindo a manutenção do ano 1914 E.C. como o ponto final dos 2.520 anos. Nenhuma evidência histórica foi apresentada para indicar que a destruição de Jerusalém tivesse ocorrido um ano mais cedo do que o acreditado. O desejo da organização em manter 1914 como uma data marcada e apontada por eles durante tantos anos (algo que eles não haviam feito com 1915) ditou a antecipação da destruição de Jerusalém em um ano, uma coisa simples de se fazer — no papel.

Em meados dos anos 40, tinha sido decidido que a cronologia usada durante as presidências de Russell e Rutherford estava errada em 100 anos com relação à contagem do tempo até a criação de Adão. Em 1966, a organização disse que, em vez de ocorrer em 1874 conforme ensinado anteriormente, o fim de seis mil anos de história humana chegaria em 1975.

Isto foi publicado no verão de 1966 no livro escrito por Fred Franz, intitulado Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus. No seu primeiro capítulo, o livro lançava mão do arranjo do Jubileu, o qual havia também figurado com destaque nas predições relacionadas com 1925, e argumentava (como também se fizera lá naquela época) em favor da crença em seis “dias” de mil anos cada um, durante o qual a humanidade deveria passar pela imperfeição, a ser seguido por um sétimo “dia” de mil anos em que se restabeleceria a perfeição num grandioso jubileu de libertação da escravidão ao pecado, à doença e à morte. Dizia o livro nas páginas 27 a 29:

 

41 Desde o tempo de Ussher, fizeram-se estudos intensivos da cronologia bíblica. Neste século vinte, realizou-se um estudo independente que não acompanha cegamente certos cálculos cronológicos tradicionais da cristandade, e a tabela de tempo publicada, resultante deste estudo independente, fornece a data da criação do homem como sendo 4026 A.E.C. Segundo esta cronologia bíblica fidedigna, os seis mil anos desde a criação do homem terminarão em 1975 e o sétimo período de mil anos da história humana começará no outono (segundo o hemisfério setentrional) do ano de 1975 E.C.

42 Assim, seis mil anos da existência do homem na terra acabarão em breve, sim, dentro desta geração. Jeová Deus não tem limite de tempo, conforme está escrito no Salmo 90:1, 2: “Ó Jeová, tu mesmo mostraste ser uma verdadeira habitação para nós durante geração após geração. Antes de nascerem os próprios montes ou de teres passado a produzir como que com dores de parto a terra e solo produtivo, sim, de tempo indefinido a tempo indefinido, tu és Deus.” Portanto, do ponto de vista de Jeová Deus, a passagem destes seis mil anos da existência humana são apenas como que seis dias de vinte e quatro horas, pois este mesmo salmo (versículos 3 e 4) prossegue, dizendo: “Fazes o homem mortal voltar à matéria quebrantada e dizes: ‘Retornai, filhos dos homens.’ Pois mil anos aos teus olhos são apenas como o ontem que passou e como uma vigília durante a noite.” Assim, dentro de poucos anos em nossa própria geração atingiremos o que Jeová Deus poderia considerar como o sétimo dia da existência do homem.

 

Qual seria a importância disto? O livro passa a fazer esta aplicação dos pontos desenvolvidos:

 

43 Quão apropriado seria se Jeová Deus fizesse deste vindouro sétimo período de mil anos um período sabático de descanso e livramento, um grandioso sábado de jubileu para se proclamar liberdade através da terra a todos os seus habitantes! Isto seria muito oportuno para a humanidade. Seria muito apropriado da parte de Deus, pois, lembre-se de que a humanidade ainda tem na sua frente o que o último livro da Bíblia Sagrada chama de reinado de Yaohushua hol'Mehushkháy sobre a terra por mil anos, o reinado milenar de Cristo. Yaohushua hol'Mehushkháy, quando na terra há dezenove séculos, disse profeticamente a respeito de si mesmo: “Por que Senhor do sábado é o que é o Filho do homem.” (Mateus 12:8) Não seria por mero acaso ou acidente, mas seria segundo o propósito amoroso de Jeová Deus que o reinado de Yaohushua hol'Mehushkháy, o “Senhor do sábado”, correspondesse ao sétimo milênio da existência do homem.

 

Tinha a organização dito ‘sem rodeios’ que 1975 marcaria o início do milênio? Não. Mas o parágrafo acima constituía o clímax para o qual toda a argumentação complexa, cuidadosamente arquitetada, desse capítulo fora desenvolvida.

Não se fez nenhuma predição direta, absoluta, sobre 1975. Mas o autor se dispôs a declarar que seria “muito apropriado da parte de Deus” que Ele iniciasse o milênio nesse tempo específico. Pareceria razoável que, para um homem imperfeito dizer o que é e o que não é apropriado para o Deus Todo-Poderoso fazer, é necessário um alto grau de certeza, certamente diferente de ‘se expressar uma mera opinião’. A discrição requereria, ou melhor, exigiria que assim fosse. Ainda mais forte é a declaração seguinte de que “seria segundo o propósito amoroso de Jeová Deus que o reinado de Yaohushua hol'Mehushkháy, o ‘Senhor do sábado’, correspondesse ao sétimo milênio da existência do homem”, sétimo milênio esse que já se havia declarado como devendo começar em 1975.

 

O livro VIDA ETERNA – NA LIBERDADE DOS FILHOS DE DEUS, escrito por Frederick W. Franz em 1966. Foi a primeira publicação da Torre de Vigia a gerar expectativa quanto ao ano de 1975.

 

Mais uma vez, o recente livro de história da Torre de Vigia intitulado "Testemunhas de Jeová" – Proclamadores do Reino de Deus teve uma oportunidade de demonstrar a objetividade e a candura que seu prefácio promete. Em uma apresentação muito breve da matéria, ele diz o seguinte (na página 104), tratando do congresso de 1966 no qual Fred Franz apresentou o novo livro que introduziu a informação sobre 1975:

No congresso realizado em Baltimore, Maryland, F. W. Franz deu o discurso concludente. Ele começou por dizer: “Pouco antes de eu subir à tribuna, um jovem se aproximou de mim e disse: ‘Diga-me, que significa esse 1975?’” O irmão Franz mencionou muitas perguntas feitas sobre se a matéria no novo livro queria dizer que em 1975 o Armagedom teria terminado, e Satanás estaria amarrado. Ele disse, em síntese: ‘Pode ser. Mas não estamos dizendo isso. Todas as coisas são possíveis a Deus. Mas não estamos dizendo isso. E que ninguém seja específico ao falar sobre o que irá acontecer a partir de agora até 1975. Mas, prezados irmãos, a grande questão é: o tempo é curto. O tempo está-se esgotando, não resta dúvida sobre isso.’

Nos anos que se seguiram a 1966, muitas "Testemunhas de Jeová" agiram em harmonia com o espírito do conselho dado. Todavia, outras declarações foram publicadas sobre esse assunto, e algumas foram provavelmente mais taxativas do que seria aconselhável. Isso foi reconhecido em A Sentinela de 15 de setembro de 1980 (página 17). Mas as "Testemunhas de Jeová" foram também acauteladas no sentido de se concentrarem principalmente em fazer a vontade de Jeová e não ficarem excessivamente preocupadas com datas e expectativas de pronta salvação.

Como é típico, a matéria cita a única declaração acauteladora feita na época. Ela reconhece que “outras declarações foram publicadas sobre esse assunto, e algumas foram provavelmente mais taxativas do que seria aconselhável”1 Aproximadamente dois terços dos atuais membros da organização entraram nela depois de 1975 e, desta forma, não tiveram a experiência de saber o que se seguiu. Eles não têm qualquer conhecimento do alcance e da intensidade da ênfase que foi dada ao ano de 1975 e o significado associado a esse ano. Mas os membros do Corpo Governante sabem. Pelo menos alguns dos que estão no Departamento de Redação devem ter lido e aprovado o que aparece no livro de história de 1993. Eles certamente sabem quão incompleto e branqueado é o quadro que o livro oferece. O que aconteceu realmente?

 

1      Em uma nota de rodapé, o livro de história da Torre de Vigia cita certas publicações como evidência de outras declarações acauteladoras. Só uma delas apareceu na década de 1960 (A Sentinela de 1º de novembro de 1968), e, como foi o caso das outras declarações acauteladoras envolvendo predições anteriores, as outras duas foram publicadas quando 1975 já estava iminente ou em curso (as Sentinelas de 15 de dezembro de 1974 e 1.° de novembro de 1975). Daí a nota de rodapé volta para antes do lançamento do livro que anunciava 1975 e cita o livro de 1963 (em inglês), intitulado “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, que declara: “Não adianta usar a cronologia bíblica para especular sobre datas que se acham no futuro na corrente do tempo. — Mat. 24:36.” A nota não explica por que o autor do livro que apontava para 1975 em conexão com o início do milênio falhou de maneira tão flagrante em seguir o princípio declarado três anos antes.

 

No ano seguinte, o número da Despertai! de 22 de abril de 1967, a revista companheira de A Sentinela, trazia um artigo intitulado “Quanto Tempo Ainda Levará?” e, sob o subtítulo “Os 6.000 Anos Terminam em 1975”, também raciocinava que o milênio seria os últimos 1.000 anos de um dia de descanso de 7.000 anos de Deus. Passou a dizer (página 20):

Por conseguinte, estarmo-nos aproximando do fim dos primeiros 6.000 da existência do homem é algo de grande significado.

Será que o dia de descanso de Deus decorre paralelamente ao tempo em que o homem tem estado na terra, desde sua criação? Parece que sim. Segundo as investigações mais fidedignas da cronologia bíblica, harmonizadas com muitas datas aceitáveis da história secular, descobrimos que Adão foi criado no outono do ano 4026 A.E.C. Em algum tempo naquele mesmo ano, Eva bem que poderia ter sido criada, logo após o que começou o dia de descanso de Deus. Em que ano, então, terminariam os primeiros 6.000 anos do dia de descanso de Deus? No ano de 1975. Isto é digno de nota, especialmente em vista de que os “últimos dias” começaram em 1914, e que os fatos físicos de nossos dias, em cumprimento da profecia, marcam esta como a última geração deste mundo iníquo. Por conseguinte, podemos esperar que o futuro imediato esteja cheio de eventos emocionantes para aqueles que depositam sua fé em Deus e em suas promessas. Isto significa que dentro de relativamente poucos anos testemunharemos o cumprimento das profecias restantes que têm que ver com o “tempo do fim”.

 

A Sentinela de 1º de novembro de 1968 continuou a estimular esta expectativa. Usando praticamente o mesmo argumento do último artigo citado, disse então (página 660):

 

"O futuro imediato com certeza estará repleto de eventos climáticos, pois este velho sistema se aproxima de seu fim completo. Dentro de alguns anos, no máximo, as partes finais da profecia bíblica relativas a estes “últimos dias” terão cumprimento, resultando na libertação da humanidade sobrevivente para o glorioso reino milenar de Cristo. Que dias difíceis, mas, ao mesmo tempo, que dias grandiosos estão bem à frente! [O grifo é meu.]".

 

Já se passaram mais de 30 anos desde que se escreveu isso. Alguém pode muito bem perguntar: O que significa a expressão “futuro imediato”? Quantos anos representam “alguns anos, no máximo”?

No artigo intitulado “O Que Trará a Década de 1970?”, a Despertai! de 22 de abril de 1969 enfatizava novamente a brevidade do tempo restante, dizendo no início (página 13):

 

"O fato de que já se passaram quase cinqüenta e cinco anos do período chamado de ‘últimos dias’ é altamente significativo. Quer dizer que restam apenas alguns anos, no máximo, antes de o corrupto sistema de coisas que domina a terra ser destruído por Deus".

 

Mais adiante, recorrendo ao ano de 1975 como o encerramento dos seis mil anos da história humana, dizia o artigo (página 14):

 

"Há outro meio que ajuda a confirmar que vivemos nos poucos anos finais deste “tempo do fim”. (Dan. 12:9) A Bíblia mostra que nos aproximamos do fim de 6.000 completos da história humana".

 

Vez após vez, as publicações da Torre de Vigia citavam declarações feitas por pessoas importantes ou “peritos” em qualquer área que fizessem alguma referência a 1975. Por exemplo, a declaração feita em 1960 pelo ex-secretário de estado dos Estados Unidos, Dean Acheson, que disse:

 

"Sei bastante do que está acontecendo para assegurar-lhes que, em quinze anos, a partir de hoje [portanto, 1975], este mundo será perigoso demais para se viver nele".

 

O livro Fome 1975! (em inglês), de dois peritos em alimentação, era citado repetitivamente, particularmente, estas declarações:

"Por volta de 1975, o mundo se confrontará com um desastre de magnitude sem precedente. Fomes, maiores do que qualquer outra na história, assolarão as nações subdesenvolvidas.

Prevejo uma data específica, 1975, quando a nova crise estará sobre nós em toda a sua importância aterradora.

Por volta de 1975, distúrbios civis, anarquia, ditaduras militares, inflação galopante, o colapso dos transportes e um tumulto caótico serão a ordem do dia em muitas nações famintas".

 

Três anos depois do enfoque original sobre 1975 no livro Vida Eterna na Liberdade dos Filhos de Deus, o autor, Fred Franz escreveu outra publicação intitulada A Paz de Mil Anos Que Se Avizinha.2 De certa forma, sua linguagem era ainda mais definitiva e específica do que a das publicações anteriores. Lançada em 1969, continha as seguintes declarações nas páginas 25 e 26:

 

"Mais recentemente, pesquisadores sérios da Bíblia Sagrada verificaram novamente a sua cronologia. Segundo os seus cálculos, os seis milênios da vida da humanidade na terra terminariam nos meados da década de mil novecentos e setenta. Portanto, o sétimo milênio a partir da criação do homem por Jeová Deus começaria em menos de dez anos.

A fim de que o Senhor Yaohushua hol'Mehushkháy seja ‘Senhor até do Sábado’, seu reinado de mil anos terá de ser o sétimo de uma série de períodos de mil anos ou milênios. (Mateus 12:8, Al) Seria assim um reinado sabático".

 

O argumento aqui é bem claro e direto: Assim como o sábado era o sétimo período em seqüência a seis períodos de labuta, o reinado de mil anos de Cristo será um sétimo milênio sabático em seqüência a esses seis mil anos de labuta e sofrimento. A apresentação não é de maneira alguma imprecisa ou ambígua. Conforme diz a página 26:

 

"A fim de que o Senhor Yaohushua hol'Mehushkháy seja ‘Senhor até do Sábado’, seu reinado de mil anos terá de ser o sétimo de uma série de períodos de mil anos ou milênios".

 

 

2    A mesma matéria apareceu também no número de 15 de abril de 1970, páginas 238, 239 de A Sentinela. Os índices mais recentes das publicações da Torre de Vigia, porém, não a alistam sob o título “1975”, simplesmente ignorando-a apesar da intensa ênfase que se deu a essa data.

 

Do mesmo modo como se determinava o que seria “apropriado” e “adequado” para Deus fazer, estabelece-se agora também um requisito para Yaohushua hol'Mehushkháy. Para que ele seja o que diz que será, ‘Senhor até do sábado’, o seu reinado “terá de ser” então o sétimo milênio duma série de milênios. O raciocínio humano impõe este requisito ao Filho de Deus. Os seis mil anos terminariam em 1975; a regência de Cristo, de acordo com o argumento, “terá de ser o sétimo” período seguinte de mil anos. O “escravo fiel e discreto” tinha, com efeito, delineado o programa que ele esperava que seu Amo seguisse se é que ele havia de ser fiel à sua própria palavra.

Apesar de a redação ser mais polida e as expressões mais refinadas, esta matéria é, em essência, extraordinariamente semelhante à apresentada no folheto do Juiz Rutherford, Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, no qual ele fez afirmações que admitiu serem asininas. Com exceção da data de publicação, era como se se tivesse atrasado o relógio em cerca de meio século até os dias anteriores a 1925. A diferença era que as coisas ditas então eram agora ditas com relação a 1975.3

Quando chegou a década de 70, a edificação de expectativa continuou. A Despertai! de 22 de abril de 1972 ainda falava novamente nos seis períodos de labuta e fadiga, seguidos por um sétimo período (sabático) de descanso, e na página 28,dizia:

 

"Assim, ao nos aproximarmos do término de seis mil anos de existência humana, durante esta década, há emocionante esperança de que um grandioso Sábado de descanso e alívio se acha deveras às portas".

 

Relacionado a isso, havia, na página 27, o seguinte gráfico:


 

 3     É verdade que (na página 27) usa-se a expressão menos específica “em meados dos anos setenta”, mas o ano 1975 já havia sido apresentado como uma data biblicamente marcada e esta data estava agora firmemente gravada na mente de todas as "Testemunhas de Jeová" por toda a terra.

 

Todas estas declarações se destinavam claramente a fomentar e a edificar esperança e expectativa. Não se destinavam a acalmar ou desarmar um espírito de empolgada expectativa. Na verdade, a maioria era acompanhada de alguma declaração moderadora no sentido de que ‘não estamos dizendo positivamente’ ou não estamos ‘apontando para uma data específica’, e de que ‘não sabemos o dia e a hora’. Mas, deve ser lembrado que a organização não era novata neste campo. Toda a sua história, desde precisamente seu próprio começo, tem sido do tipo que edifica a esperança das pessoas em certas datas só para vê-las passarem sem que a esperança se realize. Nos casos passados, as publicações da Sociedade procuravam logo em seguida colocar a responsabilidade por alguma desilusão sobre os que recebiam a informação, não sobre os que a transmitiam, como estando inclinados a esperar demais. Seguramente, os homens responsáveis pela organização deveriam, então, ter se dado conta do perigo, ter compreendido como é a natureza humana e percebido quão facilmente se pode suscitar grandes esperanças.

Mesmo assim, enquanto evitavam cuidadosamente qualquer predição explícita no sentido de que uma data específica veria o início do milênio, esses homens responsáveis aprovaram o uso das expressões “dentro de relativamente poucos anos”, “o futuro imediato”, “dentro de, no máximo, alguns anos”, “apenas alguns anos, no máximo”, “os poucos anos finais”, todas usadas nas revistas A Sentinela e Despertai! com referência ao início do reinado milenar e todas dentro de um contexto que incluía a data de 1975. Significam estas palavras alguma coisa? Ou foram usadas de maneira desconexa, descuidada? São as esperanças, os planos e os sentimentos das pessoas algo com que se brincar? No entanto, A Sentinela de 15 de fevereiro de 1969, (página 116) deu até a entender que alguém deveria ser cuidadoso quanto a pôr excessiva confiança nas próprias palavras acauteladoras de Yaohushua.

 

35 Uma coisa é absolutamente certa, a cronologia bíblica, reforçada pela profecia bíblica cumprida, mostra que em breve, sim, dentro desta geração, acabarão seis mil anos da existência do homem! (Mateus 24:34) Portanto, este não é o tempo para se ser indiferente e complacente. Não é o tempo para se brincar com as palavras de Yaohushua de que “acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente o Pai”. (Mateus 24:36) Ao contrário, é o tempo em que se deve estar vivamente apercebido de que o fim deste sistema de coisas está chegando rapidamente ao seu término violento. Não se engane, basta que o próprio Pai saiba ‘o dia e a hora’!

 

Como podia um “escravo fiel e discreto” dizer isto; dizer, com efeito, que, “Realmente, meu amo disse isso e aquilo, mas não dêem muita importância; ao contrário, conscientizem-se de que o que lhes digo deve ser a força orientadora de suas vidas”?

Algumas das declarações mais diretas vieram do Departamento de Serviço da sede internacional, que produz um periódico mensal chamado Ministério do Reino, destinado apenas às Testemunhas e não ao público. O número de maio de 1968, (página 4) exortava a se entrar na atividade de pregação por tempo integral (“serviço de pioneiro”) dizendo:

 

"Em vista do curto período de tempo que resta, desejamos fazer isso tão amiúde quanto as circunstâncias o permitam. Apenas pensem, irmãos, restam menos de noventa meses até que se completem os 6.000 anos da existência do homem na terra".

 

O número de julho de 1974, (páginas 3 e 4) do Ministério do Reino, referindo-se ao “pouco tempo que resta”, disse:

 

"Receberam-se notícias a respeito de irmãos que venderam sua casa e propriedade e que planejam passar o resto dos seus dias neste velho sistema de coisas empenhados no serviço de pioneiro. Este é certamente, um modo excelente de passar o pouco tempo que resta antes de findar o mundo iníquo. — 1 João 2:17".

 

Um número considerável de testemunhas fez exatamente isso. Alguns venderam seus negócios, largaram seus empregos, venderam suas casas ou fazendas e se mudaram com suas esposas e filhos para outras áreas a fim de ‘servir onde houvesse mais necessidade’, confiando que tinham fundos suficientes para sustentá-los até 1975.

Outros, inclusive algumas pessoas de idade, converteram em dinheiro apólices de seguro ou outros certificados de valor. Alguns adiaram intervenções cirúrgicas na esperança de que a entrada do milênio eliminasse a necessidade de fazê-las.

Quando 1975 passou e seus fundos se esgotaram ou sua saúde piorou seriamente, tinham agora de tentar lidar com a dura realidade e reconstruir suas vidas do melhor modo possível.

Qual era o pensamento dentro do Corpo Governante durante esse período?

Alguns dos homens de mais idade do Corpo tinham experimentado pessoalmente as expectativas fracassadas de 1914, 1925, bem como as esperanças suscitadas no início dos anos quarenta. A maioria, pelo que pude observar, assumiu uma atitude de ‘esperar para ver’. Estavam relutantes em pedir moderação. Estavam ocorrendo grandes aumentos. Considere o registro de batismos correspondente ao período de 1960 até 1975:

 

Desde 1960 até 1966, o índice de crescimento havia se reduzido, quase parado. Mas depois de 1966, quando se passou a dar publicidade a 1975, houve um período de crescimento fenomenal como mostra a tabela.

Durante os anos de 1971 a 1974, enquanto eu estava servindo no Corpo Governante, não me lembro de ter ouvido nenhuma manifestação de séria preocupação por parte dos membros do Corpo com relação às expectativas suscitadas que haviam sido criadas. Não quero dizer que eu mesmo não tenha me sentido inicialmente empolgado em 1966, quando saiu o livro Vida Eterna na Liberdade dos Filhos de Deus com seu quadro brilhante da proximidade de um jubileu milenar. Nem iria alegar que não tive qualquer participação na etapa inicial da campanha que concentrava a atenção na data alvo de 1975. Mas cada ano que passava, de 1966 em diante, fazia a idéia parecer cada vez mais irreal. Quanto mais eu lia as Escrituras, mais fora de harmonia parecia todo o conceito; não se enquadrava com as declarações do próprio Yaohushua hol'Mehushkháy, tais como:

 

- Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente o Pai.

- Portanto, mantende-vos vigilantes, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.

- Por esta razão, vós também mostrai-vos prontos, porque o Filho do Homem vem numa hora em que não pensais.

- Persisti em olhar, mantende-vos despertos, pois não sabeis quando é o tempo designado.

- Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a sua própria jurisdição.4

 

Como membro do pessoal da sede de uma organização que transbordava de alegria por deslizar sobre a onda de um crescimento extraordinário, contudo, não havia muito que se pudesse fazer. Eu procurava moderar alguns artigos que vinham a mim para serem editados, mas isso era praticamente tudo. Em minha atividade pessoal, procurava chamar atenção para os versículos bíblicos que acabei de mencionar, tanto em conversas particulares como em discursos públicos.

Certo domingo à noitinha em 1974, depois de minha esposa e eu havermos retornado de um compromisso de discurso em outra parte do país, meu tio, então vice-presidente, veio até nosso quarto. (Como a vista dele estava extremamente fraca, costumávamos ler a matéria de estudo de A Sentinela em voz alta para ele toda semana.) Minha esposa mencionou para ele que, em meu discurso daquele final de semana, eu tinha advertido os irmãos contra ficarem indevidamente empolgados em relação a 1975. Sua resposta imediata foi: “E por que não deveriam ficar empolgados? É algo com que se empolgar”.

 

4 Citado de Mateus 24:36, 42, 44; Marcos 13:33; Atos 1:7.

 

Não há nenhuma dúvida em minha mente de que, de todos os membros do Corpo Governante, o vice-presidente era o mais convencido da exatidão do que ele escrevera e sobre o qual outros haviam construído. Noutra noitinha, no verão de 1975, um irmão grego de idade avançada chamado Peterson (originalmente Papagyropoulos) participou de nossa leitura, como era seu costume. Depois da leitura, meu tio disse a Peterson: “Sabe, tudo isso lembra muito 1914. Tudo estava calmo até os meses de verão. Então, de repente, as coisas começaram a acontecer e estourou a guerra.”

Antes disso, no início de 1975, o presidente Knorr havia feito uma viagem ao redor do mundo, levando consigo o vice-presidente Franz. Os discursos do vice-presidente em todos os países visitados giravam em torno de 1975. Ao retornarem, os outros membros do Corpo Governante, tendo ouvido relatos procedentes de muitos países sobre o efeito emocionante do discurso do vice-presidente, pediram para ouvir uma gravação dele feita na Austrália.5

Em seu discurso, o vice-presidente falou de 1975 como um “ano de grandes possibilidades, tremendas probabilidades”. Disse a sua assistência que, de acordo com o calendário hebraico, estavam “já no quinto mês lunar de 1975”, restando menos de sete meses lunares. Ele enfatizou também várias vezes que o ano hebraico se encerraria com o Rosh Hashana, o Ano Novo Judaico, em 5 de setembro de 1975.

Reconhecendo que teria de acontecer muita coisa nesse curto período se é que o desfecho final estava para vir nessa ocasião, ele passou a falar sobre a possibilidade de uma diferença de mais ou menos um ano devido a algum lapso de tempo entre a criação de Adão e a criação de Eva. Fez referência ao fracasso das expectativas em 1914 e 1925 e citou a observação de Rutherford, “fiz papel de asno”. Disse que a organização tinha aprendido a não fazer “predições muito audaciosas e extremas”. Chegando ao final, exortou seus ouvintes, no entanto, a não adotarem uma visão indevida e imaginarem que a vindoura destruição pudesse estar a “anos no futuro”, e focalizar sua atenção em outros assuntos, tais como casar-se e cuidar de uma família, desenvolver um excelente empreendimento comercial ou passar anos na faculdade em algum curso de engenharia.

 

5 Isto aconteceu na sessão de 19 de fevereiro de 1975.

 

Depois de escutar a fita, alguns membros do Corpo Governante expressaram preocupação no sentido de que, sem dúvida, se nenhuma predição “muito audaciosa e extrema” estava sendo feita, algumas predições sutis estavam sendo feitas e o efeito era evidente de modo palpável na empolgação que se gerou.

Esta foi a primeira vez que se expressou preocupação nas discussões do Corpo Governante. Mas não se adotou nenhuma medida, nem se decidiu nenhuma diretriz a respeito. O vice-presidente repetiu muitos dos pontos do mesmo discurso em 2 de março de 1975, na formatura da Escola de Gileade que se seguiu.6

1975 passou – como haviam passado 1881, 1914, 1918, 1920, 1925 e os anos 40. Deu-se muita publicidade por parte de outras pessoas quanto ao fracasso das expectativas da organização em torno de 1975. Houve muita conversa a respeito entre as próprias "Testemunhas de Jeová". Em minha opinião, a maior parte do que se disse não tocou no ponto principal da questão.

Senti que a verdadeira questão ia muito além da exatidão ou falta de exatidão de algum indivíduo, ou até da confiabilidade ou falta de confiabilidade de uma organização, ou da sensatez ou credulidade de seus membros. Pareceu-me que o fator realmente importante era como tais predições refletiam finalmente sobre Deus e a sua Palavra. Quando os homens fazem tais prognósticos e dizem que o estão fazendo com base na Bíblia, engendrando argumentos para eles com a Bíblia, afirmando que são o “canal” de comunicação de Deus; qual é o resultado quando seus prognósticos se provam falsos? Honra a Deus ou edifica a fé nele e na confiabilidade de sua Palavra? Ou resulta no contrário? Não dá isso motivo adicional a alguns para se sentirem justificados em dar pouca importância à mensagem e aos ensinos da Bíblia? Aquelas Testemunhas que fizeram grandes mudanças em suas vidas podiam, na maioria dos casos, recolher os destroços, e de fato o fizeram, e prosseguir vivendo apesar de sentirem-se desiludidas. Nem todas conseguiram fazê-lo. Contudo, seja qual for o caso, causou-se sério prejuízo em mais de uma maneira.

 

6 Veja A Sentinela de 15 de setembro de 1975, página 552.

 

Em 1976, um ano depois da passagem daquela data amplamente anunciada, uns poucos membros do Corpo Governante começaram a insistir em que se deveria fazer alguma declaração reconhecendo que a organização havia se equivocado, que tinha estimulado falsas expectativas. Outros disseram que achavam que não se deveria fazê-lo, que isso “serviria apenas de munição para os opositores”. Milton Henschel recomendou que o procedimento sábio a seguir seria simplesmente não suscitar o assunto e que, com o tempo, os irmãos deixariam de falar sobre ele. Não havia, evidentemente, apoio suficiente favorecendo a aprovação desta moção. Um artigo em A Sentinela de 15 de janeiro de 1977 fez realmente referência às expectativas não cumpridas, mas o artigo teve de se harmonizar com o sentimento prevalecente dentro do Corpo Governante e não foi possível nenhum reconhecimento claro da responsabilidade da organização.

Em 1977, o assunto surgiu novamente numa reunião. Apesar de se levantarem as mesmas objeções, aprovou-se uma moção no sentido de que se deveria incluir uma declaração em um discurso de congresso que Lloyd Barry estava incumbido de preparar. Meu entendimento é que, mais tarde, os membros do Corpo Governante Ted Jaracz e Milton Henschel conversaram com Lloyd sobre sua opinião acerca do assunto. Qualquer que tenha sido o caso, não se incluiu nenhuma menção a 1975 na preparação do discurso. Recordo-me de ter perguntado a Lloyd sobre isso e a sua resposta foi que ele simplesmente não tinha conseguido encaixá-la em seu tema. Passaram-se quase dois anos e, então em 1979, o Corpo Governante voltou a considerar o assunto. Nessa época, tudo indicava que 1975 tinha produzido uma séria brecha de credibilidade.

Certo número de membros do pessoal da sede se expressaram nesse sentido. Alguém descreveu 1975 como um “albatroz” rondando em volta de nossos pescoços. Robert Wallen, um secretário do Corpo Governante, escreveu o seguinte:

 

"Estou associado como Testemunha batizada há mais de 39 anos e, com a ajuda de Jeová, continuarei a ser um servo leal. Mas, dizer que não estou decepcionado seria uma mentira, pois eu sei que meus sentimentos com relação a 1975 foram nutridos em razão daquilo que li em várias publicações e quando sou efetivamente informado de que cheguei às falsas conclusões por mim mesmo, sinto que isso não está sendo justo ou honesto. Sabendo que não estamos tratando com a infalibilidade, para mim o correto só pode ser que, sempre que homens imperfeitos, porém tementes a Deus, cometerem erros, sejam feitas então as correções quando os erros forem encontrados".

Raymond Richardson, do Departamento de Redação, disse:

"Não são as pessoas atraídas pela humildade e não estão mais dispostas a depositar confiança onde há candura? A própria Bíblia é o maior exemplo de candura. Esta é uma das razões mais destacadas para acreditarmos que ela seja veraz".

Fred Rusk, também do Departamento de Redação, escreveu:

"Apesar de quaisquer declarações atenuadoras que possam ter sido feitas ao longo do caminho a fim de alertar os irmãos para não dizerem que o Armagedom viria em 1975, o fato é que houve uma quantidade de artigos nas revistas e outras publicações que faziam mais do que insinuar que o velho sistema seria substituído pelo novo sistema de Jeová em meados dos anos setenta".

Merton Campbell, do Departamento de Serviço, escreveu:

 

"Outro dia uma irmã me telefonou de Massachusetts. Ela estava no trabalho. Tanto a irmã como o marido dela estão trabalhando para pagar as contas que haviam se acumulado devido a enfermidade. Ela expressou que se sentira tão confiante de que 1975 traria o fim, que ambos estavam tendo dificuldade em fazer frente aos fardos deste sistema. Este exemplo é típico de muitos dos irmãos que nós encontramos".

 

Harold Jackson, também do Departamento de Serviço, disse:

 

"O que se precisa agora não é de uma declaração no sentido de que estávamos equivocados com relação a 1975, mas sim de uma declaração explicando por que todo o assunto tem sido passado por alto por tanto tempo, já que tantas vidas têm sido afetadas. Confrontamo-nos agora com uma brecha de credibilidade e essa pode provar-se desastrosa. Se formos dizer absolutamente alguma coisa, falemos de maneira direta e sejamos francos e honestos com os irmãos".

 

Howard Zenke, do mesmo departamento, escreveu:

 

"Não queremos certamente que os irmãos leiam ou escutem alguma coisa e depois digam em suas próprias mentes que essa forma de tratar o assunto que temos adotado seja equivalente a um ‘Watergate’ [um caso de escândalo político na capital dos EUA que culminou na renúncia forçada do presidente Nixon]".

 

Outros fizeram comentários similares. Ironicamente, alguns que expressavam nessa ocasião as mais severas críticas haviam estado entre os mais exaltados antes de 1975 em enfatizar essa data e a extrema “urgência” que ela evocava, tendo até escrito alguns dos artigos anteriormente citados e aprovado as declarações no Ministério do Reino recomendando aqueles que estavam vendendo suas casas e propriedades, à medida que 1975 se aproximava. Muitas das declarações mais dogmáticas acerca de 1975 foram feitas por representantes viajantes (superintendentes de circuito e distrito), todos os quais estavam sob a supervisão direta do Departamento de Serviço.

Na reunião do Corpo Governante de 6 de março de 1979, apresentaram-se os mesmos argumentos contra publicar-se qualquer coisa ; de que isso exporia a organização a mais críticas por parte de opositores, que nesta hora tão tardia, não havia necessidade alguma de se apresentar um pedido de desculpas, que não se conseguiria nada com isso. Todavia, até mesmo aqueles que argumentavam neste sentido o faziam com menos intensidade que em reuniões anteriores. Isto se devia particularmente a um fator: as cifras mundiais haviam registrado sérios decréscimos durante dois anos.

Os relatórios anuais sobre o número total dos participantes na atividade de testemunho revelam o seguinte:

 

Esta diminuição, mais do que qualquer outro fator, parecia ter influenciado os membros do Corpo Governante em sua posição. Houve uma votação de 15 a 3 a favor de fazer-se uma declaração expressando pelo menos algum reconhecimento quanto à parcela de responsabilidade da organização pelo erro. Isto foi publicado em A Sentinela de 15 de setembro de 1980.

Levou quase quatro anos para que a organização, através de sua administração, admitisse finalmente que estivera errada, que havia, durante toda uma década, criado falsas esperanças. Não é que uma declaração tão franca, ainda que verdadeira, não pudesse ser feita. O que quer que fosse escrito tinha de ser aceitável para o Corpo como um todo a fim de ser publicado. Eu sei disso porque fui designado para redigir a declaração e, como em casos similares no passado, eu tive de me conduzir; não por aquilo que eu gostaria de ter dito ou até por aquilo que eu achasse que os irmãos precisavam ouvir; mas por aquilo que pudesse ser dito de modo a receber a aprovação de dois terços do Corpo Governante quando lhe fosse apresentado.

Atualmente, toda essa longa década em que se criou esperanças focalizadas em 1975 é desconsiderada como não tendo qualquer importância significativa. A essência das palavras de Russell em 1916 é novamente expressa pela organização: Isso “teve certamente um efeito muito estimulante e purificador sobre milhares, todos os quais podem louvar o Senhor – até pelo erro.

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Edição de o Caminho

 

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Nota Final de OCaminho: A desassociação/exclusão é mais uma evidência presente nas falsas denominações, uma vez que nem aos Anjos o Messias (Yaohushua) permitiu que se colhesse o joio!

 

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